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O homem que Donald Trump deve temer

20/12/2017 - 10:10, featured, Upgrade

Robert Mueller está a apertar o cerco ao presidente, que poderá ser acusado de obstrução à justiça.

Por Paulo Narigão Reis

A pouco mais de um mês de completar o primeiro ano na presidência dos Estados Unidos, Donald Trump tem muitas razões para começar a pensar se chegará a festejar o segundo aniversário. Por esta altura, a maioria dos norte-americanos  e o mundo viu confirmados os piores receios após o surpreendente resultado eleitoral de 2016: o actual ocupante da Casa Branca é um perigo para a América e para o planeta. Os níveis recorde de desaprovação entre o eleitorado norte-americano – está nos 32%, segundo a última sondagem – e a sua conduta errática, marcada por polémicas mesquinhas, decisões geopolíticas impensadas e nocivas, ofensas a meio mundo e narcisismo patológico, fazem temer o pior se Trump conseguir manter-se como líder da maior potência mundial.

A hipótese de vir a existir um processo de impeachment é ainda remota, mesmo que as casas de apostas coloque por esta altura a possibilidade nos 40%. Porém, o cerco a Donald Trump está a aumentar, montado por Robert Mueller, o procurador nomeado para investigar a existência de conluio entre a equipa de Trump e a Rússia para interferir nas eleições presidenciais de Novembro do ano passado.

Não se sabe, para já, se a investigação do antigo director do FBI – entre 2001 e 2013, durante os mandatos de George W. Bush e Barack Obama – está ou não perto do fim, mas os últimos desenvolvimentos, como a acusação avançada contra o anterior conselheiro nacional de segurança,Michael Flynn, com quem acabou por fazer um acordo, deixam antever que, apesar dos gritos de “fake news” de Trump, existe matéria para o presidente estar preocupado com o que pode vir a constituir, pelo menos, a acusação de obstrução à justiça quando despediu o director do FBI, James Comey, em 9 de Maio.
Pânico na Casa Branca

Há poucas semanas, o site Politico relatava que o pânico estava instalado entre os funcionários da Casa Branca, receosos por não saberem quem será o próximo alvo de Mueller e preocupados por poderem estar sob escuta. É que, para além de Flynn, que nem sequer chegou a cumprir um mês como conselheiro nacional de segurança, a investigação do procurador, de 73 anos, já chegara a Paul Manafort, que foi director de campanha de Trump, ao seu colaborador Rick Gates e a George Papadopoulos, conselheiro de política externa. E sabe-se, ainda, que a equipa de Mueller apertou, também, Jared Kushner, genro de Donald Trump, e o filho Donald Jr., para além de ter aberto uma outra linha de investigação às finanças do presidente que, para já, culminou com o pedido dos registos financeiros de Trump ao Deutsche Bank, deixando antever quem é, de facto, o alvo da investigação.

O contra-ataque está a ser feito à credibilidade de Mueller, acusado de estar a ser tendencioso, com vários indefectíveis de Trump a pedirem que sejam cortados os fundos à investigação federal. Os próximos meses serão decisivos.

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