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O “Ronaldo do Ecofin” no topo das finanças europeias

13/12/2017 - 15:36, featured, Upgrade

Ministro português eleito para presidente do Eurogrupo, órgão que reúne ministros das Finanças da zona euro.

Por Paulo Narigão Reis

Quando, em Maio, o então todo-poderoso ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, apelidou Mário Centeno de “Ronaldo do Ecofin”, ficou a dúvida: elogio sincero ao seu homólogo português, ou ironia em relação à política económica do governo de Lisboa? Fosse qual fosse a intenção de Schäuble, entretanto nomeado como presidente do Bundestag, o parlamento alemão, a verdade é que o “Ronaldo do Ecofin” chegou, viu e venceu, como demonstra a eleição, nesta semana, para presidente do Eurogrupo, o órgão informal que reúne, todos os meses, os ministros das Finanças dos países da zona euro.

Mário Centeno, que iniciará funções em 13 de Janeiro para um mandato de dois anos e meio, sucede no cargo ao holandês Jeroen Dijsselbloem.

O ministro português foi, com oito votos, o mais votado na primeira volta, após a qual saíram da ‘corrida’ a letã Dana Reizniece-Ozola e o eslovaco Peter Kazimir, tendo Centeno derrotado o candidato luxemburguês Pierre Gramegna na segunda volta. “Gerar consensos é a única maneira de avançar, temos de aprender com as lições dos outros”, afirmou Centeno após a votação, isto depois de Dijsselbloem ter avançado que o único conselho que tem para lhe dar é o de manter o caminho que foi traçado, “sem relaxar” na estabilidade orçamental.

Centeno, como Dijsselbloem, faz parte da família socialista no Parlamento Europeu. Gianni Pittella, o italiano que lidera o grupo dos Socialistas e Democratas (S&D), fez questão de vincar que a eleição do ministro português é uma vitória contra a austeridade que marcou a política económica europeia nos últimos anos.

“Esta é uma vitória pelo futuro da Europa e por todos os que lutaram para nos livrarmos da cegueira da austeridade”, disse Pittella, em comunicado, acrescentando que Centeno “conseguiu aplicar uma política económica credível em Portugal, recuperando as finanças públicas e retomando o caminho do crescimento”.

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