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Angola rende 47, 3 mil milhões USD em investimentos directos estrangeiros

13/02/2017 - 12:05, featured, Finanças

Os números podem avançar e dar outra dinâmica à economia. Mas razões antigas, como a incerteza dos investidores, travam os interesses empresariais.

Por Pedro Fernandes

pedro.fernandes@mediarumo.co.ao 

Entre 2014 e Janeiro de 2017, Angola captou 300 novos projectos empresariais estrangeiros, representando 47,3 mil milhões USD em infra-estruturas, no sector petrolífero e no energético, referem dados da consultora E&Y divulgados recentemente em Luanda.

Isoladamente, os números parecem satisfatórios. Porém, numa abordagem comparativa, segundo a E&Y, Angola fica em quarto lugar no quadro do IDE (investimento directo estrangeiro) em África, depois do Quénia, da África do Sul, da Nigéria e de Moçambique.

A posição de Angola é mais gravosa comparativamente a estes Estados quando se avalia os seus níveis de desenvolvimento e se conclui que o País “ainda está em fase de desenvolvimento com diversas áreas por se investir e mesmo assim os níveis ainda não satisfazem”.

Embora Angola esteja no top 5dos países cobiçados pelos investidores, no terreno, o ambiente de negócios, segundo a E&Y, apresenta um cenário pouco atractivo, relacionado particularmente com os recursos, a infra-estrutura, a facilidade em se repatriar o montante investido, após retorno.
“O índice de atractividade ainda penaliza Angola. O País deve continuar a trabalhar na melhoria da apreciação que se tem do País como um todo. A fiscalidade em Angola apresenta um panorama satisfatório, mas o investidor não olha apenas a isso.

Quer saber se tem infra-estruturas, recursos e outros elementos. Tudo isso é importante para o investidor, e Angola, neste aspecto, ainda tem um caminho por percorrer”, disse em entrevista ao Mercado, a propósito dos 60 anos de operatividade da E&Y em Angola.

“O problema é o défice de Angola em relação a estes países. Se a compararmos com a África do Sul, concluímos que o nível de sustentabilidade desta já não exige tantas infra-estruturas, como Angola. A mesma comparação pode ser feita com a Namíbia e o Quénia, por exemplo”, aludiu o representante da E&Y em Angola, Luís Marques.

Apesar destes aspectos, Luís Marques valoriza os 300 investimentos feitos em Angola entre 2014 e Janeiro de 2017, mas sublinha mais uma vez o défice e o trabalho ainda por desenvolver.

“Há um bom sinal, Angola está a receber mais investimentos, mas não se esgota aí. O País está a ter esta necessidade, o défice ainda existe e está a ser colmatado”, considerou Luís Marques.

Do ponto de vista das regras e normas, Luís Marques diz que não estão a ser bem implementadas para que o quadro fosse diferente, referindo que “a dependência do petróleo ainda penaliza esta situação”.

“Uma questão apresentada de modo recorrente pelos investidores é: temos capacidade de receber dividendos.

A nossa resposta é sempre a mesma: pela lei, sim, não há constrangimentos, mas, em termos práticos, as empresas têm dificuldades em repatriar dividendos, derivadas da escassez da moeda estrangeira”, justificou.

Luís Marques chama a atenção sobre as certezas que os investidores querem ter, antes de investir, considerando a incerteza no processo de repatriamento de dividendos como o principal entrave.

É particularmente neste aspecto que Luís Marques acha que Angola deve melhorar. “E só vai conseguir melhorar diversificando a economia, criando outras fontes de renda, que não apenas o petróleo.”

O crescimento do sector petrolífero será em média de 4%, enquanto se prevê que o sector não-petrolífero registe uma pequena melhoria, com um crescimento de 3,4%, impulsionado principalmente por uma forte recuperação na agricultura.

Segundo o Relatório de Fundamentação do OGE para 2016, o Executivo pretende incrementar as iniciativas do programa específico para o aumento das captações de investimento directo estrangeiro. O mesmo documento esclarece que a intenção é a de remover constrangimentos às operações fundamentais das empresas, em particular as unidades agrícolas, e à aplicação económica dos recursos das famílias.

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