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Angosat-1 vai baixar preços das telecomunicações

24/11/2017 - 17:26, featured

Angosat-1 traz a promessa de comunicações de melhor qualidade e mais baratas. O primeiro satélite angolano deverá ser colocado em órbita em Dezembro, a partir do Cazaquistão.

Por  Fernando Baxi   E  Paulo Narigão   | Fotografia Njoi Fontes

Se tudo correr como previsto, Angola entra na era espacial ainda antes do fim do ano, com o lançamento do primeiro satélite nacional durante o mês de Dezembro. O Angosat-1 será lançado a partir do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, e, quando estiver em pleno funcionamento – o que deve acontecer três meses depois de ser colocado em órbita terrestre –, espera-se que tenha um enorme impacto nas telecomunicações do País, alargando a cobertura de rede à totalidade do território nacional e tornando as comunicações mais baratas, rápidas e acessíveis.

O sector bancário será um dos beneficiários dos serviços do Angosat-1, minimizando os custos das telecomunicações, ferramenta indispensável para a banca, como ficou patente na conferência sobre o impacto socioeconómico do projecto, esta semana, em Luanda, que contou com a presença do ministro das Telecomunicações e das Tecnologias de Informação, José Carvalho da Rocha. Para materializar a primeira etapa do projecto espacial angolano, o Governo gastou cerca de 320 milhões USD, através do financiamento de um consórcio de bancos.

A importância do projecto aerospacial para a banca foi reconhecida por Fernando Teles, presidente do conselho de administração do Banco BIC, para quem o Angosat-1poderá facilitar o processo de expansão da instituição financeira a todo o País.

As telecomunicações são um instrumento indispensável para que se possa abrir agências bancárias em zonas que distam a mais de dez quilómetros dos centros provinciais, onde o sinal das duas maiores operadoras de telefonia móvel não chega. É o caso de Cazombo, na província do Moxico, “onde a forma de comunicar é por satélite”, disse o gestor. Fernando Teles lembrou que a entrada em operação do AngoSat-1 vai contribuir na melhoria dos serviços da banca. Para o chairman do terceiro maior banco angolano, a entrada em funcionamento do primeiro satélite nacional vai, ainda, viabilizar a melhor operacionalidade das telecomunicações, porque, a par do sistema bancário, é o sector que mais se ressente da carência de um satélite nacional.

De acordo com o ministro, as operadoras nacionais terão acesso a preços mais acessíveis , em kwanzas, o que dará ao Executivo, segundo José Carvalho da Rocha,“a capacidade política de pressionar as empresas a baixarem as tarifas actuais”. O governante prometeu implementar uma política de preços que esteja ao alcance de todas as bolsas.

Já Rui Santos, presidente da comissão executiva da SISTEC, considerou, em declarações ao Mercado, que o satélite angolano, construído na Rússia, com uma potência de 3753 W, na banda CKu e 16C+6Ku repetidores, vai facilitar as empresas do sector, “principalmente porque os pagamentos serão feitos na moeda nacional”, dispensando assim as habituais divisas. “A SISTEC é uma empresa que providencia serviços ligados às tecnologias de informação. Seremos um dos utilizadores de largura de banda que é necessária para fazer interligações. Nas opções que temos para oferecer aos clientes, o Angosatvai ter um lugar privilegiado, devido ao facto de os pagamentos serem em kwanzas”, revelou. Tal levará a SISTEC a oferecer serviços “a um preço mais atractivo para os clientes”, garantiu Rui Santos.

Relativamente à qualidade dos serviços do satélite angolano,  que deixará a Terra a bordo do foguete ucraniano Zenit, será aceitável, afirmou o CEOda SISTEC, que, nesta altura, trabalha “com vários satélites da linha IntelSat e EutelSat”. A diferença para as outras operadoras de satélites vai incidir “sobre os preços e pelo facto de negociarmos em casa”, declarou, convicto na melhoria dos serviços de telecomunicações e sistemas de informação do País, pela dimensão do projecto que possui um centro primário de controlo de missão em Angola, com o segundo centro a ficar na Rússia.

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