Mercado

A banca digital, uma nova perspectiva

07/12/2017 - 16:28, featured, Opinião

O ATM Cashlesspode vir a reforçar a capilaridade das soluções financeiras

Por Ordenã Leiria

Técnico da Unidade de Comunicação, Cooperação e Inclusão Financeira

O momento de desenvolvimento tecnológico, potenciado  pelo  forte  crescimento  do acesso à Internet em mobilidade, traz novos hábitos e expectativas na relação que estabelecemos com as entidades financeiras bancárias.

A oferta de dispositivos cada vez mais potentes e a cada vez menor custo cria a oportunidade perfeita para o surgimento de startups tecnológicas dispostas a revolucionar os modelos de negócio de intermediação clássica neste sector.

Os serviços bancários atravessam enormes mudanças, e esta evolução, que é necessária, implica, sobretudo, a integração de novas tecnologias e canais de contacto focados na mobilidade. Como reflexo disto, podemos sublinhar a crescente importância que os utilizadores vêm atribuindo ao canal móvel, com notáveis níveis de adesão aos terminais móveis e com a oferta de packsde dados com preços acessíveis, cada vez mais comum no mercado.

A afirmação e a penetração do sistema financeiro em Angola dependem cada vez mais da capacidade das instituições bancárias para estarem próximas das pessoas, sejam as já bancarizadas, sejam aquelas ainda por incluir no sistema.

Tendo em consideração a dimensão do nosso território, bem como a dispersão das populações, é indubitável que a melhor forma de chegar ao seu contacto passa pelos meios digitais, pois são os que garantem a presença na totalidade do País a custos muito mais reduzidos do que a abertura das tradicionais agências.

A abordagem digital por parte das instituições tem vindo a ser feita, maioritariamente, com recurso a soluções de internete mobile banking, ou seja, a disponibilização dos serviços bancários através do telefone ou do computador. Porém, não pode ser ignorado que tais soluções são, fundamentalmente, direccionadas para pessoas que já têm conta bancária e, por conseguinte, um nível razoável de educação financeira.

Em linha com os objectivos da inclusão financeira, é essencial promover a abrangência do sector bancário a um nível nacional. Para tal, impõe-se o estabelecimento de uma presença física, que dê confiança e interaja com as pessoas que ainda não estão bancarizadas,  assegurando,  sobretudo,  o  contacto  de proximidade.

Novas tecnologias, como um balcão digital podem, certamente, responder a estas necessidades, na medida em que asseguram todas as interacções disponíveis num banco tradicional através de uma plataforma digital que, para além de garantir os processos de abertura de conta, disponibilização de cartão multicaixa, etc., permite ainda uma interacção com o interlocutor do banco através de sistemas onlinede videoconferência.

Não obstante o acima referido, é essencial ter em atenção o baixo nível de literacia tecnológica do público que se pretende captar para o sistema financeiro, razão pela qual estas máquinas devem sempre ser suportadas por eficazes e simplificados serviços de apoio e aconselhamento ao utilizador.

Por via desta solução, os bancos podem aumentar a sua presença em locais onde não é viável abrir agências tradicionais, podendo, assim, estar sempre próximos dos seus clientes. O balcão digital é, sem dúvida alguma, um instrumento que viabiliza a presença do sistema financeiro em qualquer lugar do território nacional, aproximando-o de um segmento de clientes que, por norma, são alvo de menor investimento por parte dos bancos. Quando se pretende chegar a muitos locais num país com a dimensão de Angola, um factor determinante é o controlo de custos – ora, quanto mais elevados os investimentos, tendencialmente, menos serão os locais onde se irão estabelecer balcões físicos.

Neste âmbito, o conceito de ATM Cashless merece também a nossa atenção, como solução passível de aumentar a capilaridade das soluções financeiras.

Este conceito permite a instalação de equipamento que suporta todas as funções do tradicional ATM, com a particularidade, porém, de não dispensar dinheiro de forma directa  a disponibilização de dinheiro opera pela emissão de um talão de levantamento que pode, posteriormente, ser rebatido num comerciante.

De referir também que oATM Cashlessse revela bastante competitivo em termos de custos, tanto de investimento inicial como de despesas de manutenção, porque, nomeadamente: tem o valor entre 10% e 15% do custo de um ATM tradicional e tem custos associados mais reduzidos, atenta a sua natureza simplificada e o facto de não disponibilizar dinheiro em mão, dispensando o custo de manuseamento de notas.

Mas atenção: o menor custo unitário destes equipamentos, tendo em consideração as alternativas, deve repercutir-se no aumento significativo dos locais onde são instalados, pois só assim estará garantido o envolvimento cada vez maior dos angolanos com as instituições financeiras.

A evolução tecnológica é fundamental para o desenvolvimento de qualquer mercado, e o sector bancário não está aquém desta realidade, de tal modo que o acompanhamento destas evoluções é fundamental para se alcançar a eficiência económica e melhor integração do sistema bancário nacional nos patamares internacionais.

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