Mercado

Banca na nova realidade cambial

19/01/2018 - 15:25, featured, Opinião

Estima-se que o crescimento real da produção aumente 3,6%, em 2017.

Por Aylton Melo

Há mais ou menos três anos que os bancos deixaram de conviver com um regime cambial flutuante com bandas. Mas a realidade do País era diferente no que diz respeito às Reservas Internacionais Líquidas, níveis de liquidez e quadro macroeconómico. Em todo o caso, o sector bancário foi um dos que menos se abalaram com a queda destes termos. Melhor, parece encarar a nova realidade como um processo natural de ajustes criteriosos e adaptações internas, inclusive, às novas políticas monetárias em curso.

Mas o Banco Nacional de Angola (BNA) deverá dinamizar esta adaptação à luz do “novo normal” da actual realidade monetária. O BNA é chamado a reformular as regras de acesso aos leilões, sendo que, até agora, não reestruturou, ou pelo menos publicou um novo formato. Ainda não conseguiu cumprir com o anúncio de realizar duas sessões de leilão por semana.

No que diz respeito às regras vigentes, são as desenhadas em 2015, num contexto completamente diferente. Com o sistema de vendas de divisas que foi implementado, a banca comercial pode agora dar maior atenção aos operadores económicos, principalmente os pequenos e médios negócios, que foram reduzidos a um estado vegetativo durante a vigência das alocações directas. Ainda que, por um lado, o Governo precisasse de proteger sectores considerados prioritários, as micro e pequenas empresas foram as mais prejudicadas. Muitas tiveram de paralisar a actividade por falta de divisas que eram essenciais para a importação de equipamentos e peças sobressalentes.

Reconhece-se ainda que o actual mecanismo adoptado pelo BNA pode devolver aos bancos a capacidade de poderem atender melhor às necessidades dos seus clientes, porque são os bancos que têm o contacto directo com eles, e sabem melhor quais são as necessidades de cada um. Mas têm também a responsabilidade de fazerem a realocação justa das divisas que compram do banco central.

Uma vez que a oferta de divisas está cada vez mais diminuta e a procura a acumular-se, perante este cenário crescente de escassez, a procura mais privilegiada já nos mostrou ser exímia a usar recursos ao seu alcance para contornar este dilema a seu favor. Ainda que o BNA esteja a determinar a finalidade das vendas das divisas, por exemplo, 50% e 60%, na primeira e segunda semana respectivamente, para importação de matéria-prima, peças e equipamentos fabril. Acontece que, no “novo normal” da realidade cambial angolana, o reflorescer da actividade económica não irá ocorrer por via do aumento do crédito, porque este será mais caro, com taxas de juros mais elevadas, associadas à depreciação acumulada do kwanza. Mas os bancos podem não repassar a totalidade da desvalorização para as taxas de juro.

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