Mercado

Bancos adoptam euro como divisa de referência

21/11/2016 - 15:01, featured, Finanças

As operações cambiais em dólares norte-americanos, nos principais bancos, registaram um decréscimo superior a 77% até ao terceiro trimestre de 2016.

Por Fernando Baxi 

fernando.baxi@mediarumo.co.ao 

A substituição do dólar norte-americano pelo euro, nas operações cambiais, é a fórmula encontrada pela maioria dos bancos comerciais angolanos, principalmente os mais pujantes, como forma de minorar os efeitos corrosivos causados à economia, soube o Mercado durante a mesa-redonda sobre Relações de Correspondência Bancária, organizada pelo BNA, que decorreu à porta fechada.

O método alternativo encontrado pelos bancos comerciais, sobretudo nos últimos nove meses, poderá obrigá-los a tomar o euro como divisa de referência, nas transacções internacionais, caso a restrição para obtenção da moeda norte-americana, a favor do sistema bancário nacional, persista ou se prolongue por mais anos.

A escassez do dólar no mercado cambial tem causado desequilíbrios macroeconómicos, inclusive os bancos perderam a capacidade de executar pagamentos ligados à importação de bens alimentares, medicamentos, matérias-primas remessas para estudantes no exterior e assistência médica além-fronteiras.
Tal facto exige da banca, enquanto um dos principais vectores de estabilidade da economia angolana, uma solução. Esta vê a moeda da União Europeia como o escape.

Os resultados estão patentes, as operações cambiais em USD, nos principais bancos nacionais, registaram um decréscimo superior a 77% até ao terceiro trimestre de 2016. A situação poderia ser insustentável se houvesse falta de outra divisa.

Tal decréscimo resultou da redefinição da estratégia adoptada pelos maiores bancos comerciais, que consiste no ajustamento das relações com a banca europeia correspondente, no âmbito dos fluxos comerciais entre as instituições bancárias angolanas e as da Zona Euro, tida como uma das principais praças financeiras do mundo.

O ajustamento com os correspondentes europeus em função dos fluxos comerciais é muito importante para a economia angolana, visto que o volume das operações bancárias executadas, no plano das transacções internacionais, é feito em euros; à diferença dos anos anteriores à crise, nos quais o dólar era a moeda de referência.

Assim, quadros da banca nacional, sobretudo os participantes da mesa-redonda sobre correspondência bancária, recentemente, organizada pelo Banco Nacional de Angola (BNA), na qual participou o represente do FMI para África, Ricardo Velloso, reconheceram a importância da manutenção das relações com os bancos europeus.

Conversão dos pagamentos em euros

Diante da escassez da moeda norte-americana, a maioria dos bancos comerciais angolanos, sobretudo os de grande e média dimensão, aprovou a conversão do máximo de pagamentos em EUR que anteriormente eram efectuados em USD.

A conversão dos pagamentos em euros ficou facilitada porque o grosso das importações, principalmente do sector alimentar, é proveniente da União Europeia.
Tal situação reforça as razões para que os pagamentos sejam na moeda da União Europeia, em detrimento do dólar norte-americano, escasso no sistema financeiro angolano, face ao encerramento das Relações de Correspondência Bancária (RCB) com os bancos comerciais angolanos, a par da redução das receitas fiscais petrolíferas.

Apesar da vantagem do euro, os bancos comerciais ainda encontram dificuldades para efectuar pagamentos relativos ao sector petrolífero, porque devem ser feitos em USD.

Houve uma dinâmica nas operações cambiais com a União Europeia, face à importação, avaliada acima dos 65%, em relação a períodos homólogos transactos.
Como resultado do alinhamento das operações de pagamentos, face à região comercial, tendo em atenção a moeda em curso legal, registou-se também o decréscimo das comutações em dólares, na banca nacional, nos últimos nove meses.

Embora os bancos estejam a encontrar formas de contornar a escassez do dólar norte-americano no mercado cambial com adopção do euro, o BNA, sob liderança de Valter Filipe, está a trabalhar para tornar o sistema financeiro angolano mais sólido e robusto, a fim de reduzir o impacto do encerramento das Relações de Correspondência Bancária (RCB).

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