Mercado

BODIVA amplia margem de liquidez para investidores

21/11/2016 - 08:55, featured, Finanças

Desde que em Maio de 2015 se inaugurou o Mercado de Registo de Títulos do Tesouro, foram transaccionados cerca de 3 mil milhões USD, resultantes do engajamento dos bancos comerciais.

Por André Samuel | Fotografia Njoi Fontes 

O Mercado de Bolsa de Títulos de Tesouro, MBTT, que começou a operar desde o passado dia 15 do corrente mês vai permitir a negociação de títulos em ambiente multilateral proporcionando assim, para o investidor, maior liquidez e transparência na formação de preços.

Desde a sua abertura em Março de 2015, o ambiente de negócio na BODIVA decorria de forma bilateral, limitando as opções negócio quer para o investidor como para os emissores, com o MBTT

em funcionamento a expectativa da BODIVA é proporcionar maior profundidade e liquidez, porque não estando confinado a uma negociação bilateral, haverá mais pessoas a comprar ou a vender determinado activo.

Importa referir que o MBTT é o primeiro segmento de bolsa a ser disponibilizado pela BODIVA, anteriormente as operações eram realizadas no mercado de registo de títulos do Tesouro, MRTT, até Dezembro de 2015 substituído pelo Mercado de Registo de Obrigações e Valores Mobiliários, MROV.
Apesar do ambiente de negócio limitado, estes dois mercados de registo possibilitaram a negociação de títulos num montante de 3 mil milhões USD, fruto do profundo envolvimento das entidades bancárias.

Segundo o coordenador do departamento de negociações da BODIVA, Odair Costa, o MBTT irá permitir a colocação de ordens e a gestão das mesmas ordens e negociação em regime de “order drivers”, o que trará vantagens para quem pretende vender os seus títulos porque beneficiará da concorrência entre os possíveis compradores.

“É possível colocar a ordem de compra e a de venda ao preço pretendido, naturalmente respeitando diversos limites de variação de preço, nomeadamente a variação dinâmica (que tem que ver com a variação face ao último preço) e a variação estática (variação face ao último preço de fecho) no sentido de não haver elevada volatilidade na negociação dos mesmos títulos e teremos uma interacção permanente entre todas ofertas de compras e de venda”.

Vantagens do MBTT

A negociação multilateral proporcionada pelo MBTT garante maior transparência na formação de preços, uma vez que era efectuada fora do mercado e passa agora a ser feita de acordo com as regras de mercado e dentro de um sistema.

“Não se formara mais preços que não sejam representativos daquilo que é o justo preço para o activo”, assegura Odair Costa.

Os investidores e interessados passam a contar desde já com mais informação disponibilizada através do site em tempo real, onde serão passados todos os negócios efectuados, dando a indicação das quantidades e das variações relativamente ao último preço.

Através do sitebodiva.ao, qualquer investidor poderá aceder e ter toda informação sobre os negócios efectuados nesta plataforma.

“Nós no final do dia produzimos sempre um boletim diário de negociação em que fazemos o resumo da mesma sessão, em que nós temos os títulos negociados, as quantidades e as devidas variações percentuais. No final de cada mês, fazemos um resumo mensal. O que se pretende é criar um resumo semanal.”
Outra vantagem é a maior facilidade de acesso ao mercado por parte dos investidores que poderão contactar as salas de mercado e colocar as suas ordens junto dos operadores que colocam a ordem nos sistemas da BODIVA. Futuramente será possível para os investidores fazerem directamente.

Por último, haverá menor esforço administrativo, o que permitirá maior dinamismo na relação com o investidor. As ordens podem ser colocadas pelas vias previstas na legislação, nomeadamente por telefone e futuramente por via do homebanking.

“Não haverá mais a necessidade de formalizarmos um contrato com o cliente, sei bem que este esforço é muito grande e a sala de cliente tem de lidar com isto diariamente. A partir de agora já não existe este esforço administrativo.”

Como funciona o MBTT

Apesar da redução do esforço administrativo, só é possível aceder ao mercado através de um membro BODIVA. Para o investidor colocar ordens deve contactar a sala de mercados e estes introduzem no sistema.

No entanto, o repto foi lançado aos membros de negociação da BODIVA para desde já começar-se a encontrar formas mais directa de negociação associadas as novas tecnologias, como o homebanking e o homebrokers ou de outro sistema que permita aos investidores a qualquer momento, por ordem, cancelá-las e gerir de forma mais dinâmica a sua presença no mercado.

No MBTT serão negociados apenas os títulos do Tesouro, mas apenas os que estão centralizados na CEVAMA. Só poderão ser negociadas no mercado regulamentado emissões iguais ou superiores a 60 milhões Kz.

Actualmente só poderão ser negociados títulos do Tesouro denominados em moeda nacional. Mas há esforço no sentido de incluir a negociação de títulos do Tesouro em moeda estrangeira, neste caso em moeda norte-americana.

Horário de negociação na bolsa

Por se tratar de um segmento de mercado que negocia por ordem (order drivers) com diversas fases de negociação, a BODIVA define como fase de pré-abertura o período compreendido entre as 9h e as 9h25, intervalo destinado a recolha de ordem de compra e venda dos investidores.

De seguida, ou seja, entre as 9h25 e as 9h30, realiza-se o leilão de abertura no sentido de encontrarem o preço de equilíbrio no mercado. A partir das 9h30 começa o período contínuo, que é a altura onde há uma interacção permanente entre as ofertas de compra e de venda, sendo que este período se estende até as 14h45.

Desta altura até às 14h55 é o período de pré-fecho, há novamente um leilão para encontrar o preço de equilíbrio, pois dentro do período de negociação pode haver alguma volatilidade e o objectivo é, no final, fazer um leilão para determinar o preço de fecho.
“Após o fecho, pretendemos registar negócios bilaterais em pós–negociação, mas isto é novo, haverá um período entre as 15h e as 15h30 em que poderemos continuar a registar operações bilaterais. Mas há que haver um respeito de uma variação máxima do preço relativamente ao preço de fecho que é de 5%.”
Bolsa abre-se à inclusão financeira

Com o MBTT passa a estar disponível para qualquer cidadão o acesso aos Títulos de Dívida Pública através da Bolsa de Valores. Qualquer pessoa que tenha algumas poupanças pode agora criar a sua carteira de Títulos do Tesouro, recorrendo aos serviços da BODIVA e dos seus agentes de intermediação.

Segundo o ministro das Finanças, Archer Mangueira, para o Estado, que tem sempre de se financiar, o mercado de Bolsa de Títulos do Tesouro tem inúmeras vantagens incluindo a remuneração da Poupanças das famílias. “E falo sobre o círculo virtuoso que resulta de um Mercado de Capitais a funcionar com eficiência: através dos veículos financeiros aí disponíveis, as famílias transportam as suas poupanças para o futuro, remunerando-as, e o Estado e as empresas financiam-se com os custos e os prazos mais adequados aos seus projectos” realça, “assim se gera mais riqueza, mais postos de trabalho qualificados, melhor educação, melhor saúde – e, como corolário, as pessoas tendem a viver com mais qualidade de vida e durante mais tempo”.

De acordo com o coordenador do Departamento de Mercados e Desenvolvimento de Negócios da BODIVA, Odair Costa, o montante mínimo de negociação no MBTT corresponde ao valor nominal facial de 1000 Kz para uma unidade do bilhete do Tesouro.

Vantagens para o Estado

Segundo o ministro das Finanças, o mercado secundário de títulos públicos se irá converter num dos principais instrumentos de política monetária à disposição do BNA.

Ao actuar nesse mercado, na compra e venda de títulos, o banco central poderá calibrar a liquidez do sistema financeiro e controlar a volatilidade da taxa de juro diária.

Por outro lado, o BNA poderá passar a conduzir operações de mercado aberto neste Mercado de Bolsa de Títulos Públicos, extraindo informações sobre as expectativas dos participantes, sobre o curso futuro da economia e especialmente inferir as tendências futuras das taxas de inflação.
Além disso, um Mercado de Bolsa de Dívida Pública com profundidade – ou seja, com capacidade de resposta às ordens de compra e venda sem que essas operações, por mais volumosas que sejam, manipulem os preços – e com liquidez – que é a capacidade de satisfazer as ordens de compra e venda com prazos satisfatórios e spreads aceitáveis –, um mercado a funcionar nessas condições também é importante para os bancos centrais, do ponto de vista da política macro prudencial.

Isso ocorre porque, quando o mercado é suficientemente profundo e tem liquidez, as instituições financeiras privadas conseguem levantar os fundos necessários através do mercado, e, portanto, o banco central só é chamado a exercer o seu papel de financiador de última instância quando é verdadeiramente necessário.

Por fim, de entre as possíveis formas de financiamento do Estado, como a via fiscal e a criação de moeda, a emissão de Títulos Públicos afigura-se como a via mais eficaz de financiamento, dada a sua capacidade de atrair recursos sem gerar riscos inflacionários e sem incrementar impostos – e com isso penalizar os rendimentos das famílias e os lucros das empresas.

“Embora não seja fácil identificar o que determina a liquidez do mercado, é seguro dizer que o grau de liquidez é em grande medida condicionado pela estrutura de mercado. O Estado, como único emissor, desempenha um papel preponderante para que a estrutura do mercado seja a que melhor responde à necessidade de liquidez.”

Frisou que o Executivo está a trabalhar para que a emissão de dívida seja a menos fragmentada possível, dando azo a que grandes investidores encontrem neste mercado os títulos (em volume, taxas de cupão e maturidades) adequados à sua capacidade de mobilização de fundos.
“A seu tempo, agiremos também no domínio da Conta Capital, de modo a atrair para este mercado o capital estrangeiro que acreditamos vir a estar disponível”, conclui.

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