Mercado

Brunch With…Fátima Almeida

24/01/2018 - 11:26, Brunch with, featured

Assume-se como uma “cidadã do mundo” e lançou, em 2016, o BAYQI, uma plataforma de e-commerceque não pára de crescer em adeptos e negócio. O segredo de tudo na vida, diz, está em nunca desistir. O caminho é sempre em frente.

Por Edjaíl dos Santos Fotos Njoi Fontes

A ligação ao empreendedorismo falou mais alto quando Fátima Almeida teve necessidade de comprar uma peça de roupa, isto em 2014. Havendo, então, pouca oferta de serviços online no País, decidiu avançar com o projecto BAYQI, uma plataforma de e commerce, para colmatar a falta de vendas de produtos via web, que lançou em 2016.

Hoje, o BAYQI é um dos portais de e-commerce mais procurados do País. Aos 30 anos, Fátima Almeida, que se assume como persistente e ambiciosa, define que a sua meta para os próximos cinco anos é cotar a plataforma no NASDAQ, na bolsa de Nova Iorque.Considera-se uma “cidadã do mundo”, porque passou boa parte da sua vida entre o Reino Unido e Portugal, tendo regressado a Angola em 2014, para ter a sua primeira experiência de trabalho no País como directora de marketing do Fórum Angolano de Jovens Empreendedores. A iniciativa tem influência dos países onde viveu e onde estudou Comunicação, Jornalismo e Fotografia. Depois, “bateu a curiosidade” de querer saber mais sobre Economia, e inscreveu–se em Economia do Jogo numa universidade de Manchester, tendo sido a única mulher estrangeira graduada nesse curso. “Sou uma hard worker, uma pessoa que acredita na evolução das pessoas e das coisas. Com persistência e objectivos na vida, atingimos o sucesso, porque todos conseguimos fazer coisas grandes. O importante é saber o caminho a percorrer, não é fácil, mas  ndesistir não pode ser opção”, afirma, enquanto saboreia um chá preto.

O segredo de saber gerir

Qual o segredo para manter motivados os colaboradores? “Antes de gerir a empresa, tem de se saber gerir as pessoas à volta, porque o sucesso de tudo é saber ouvir, ajudar, motivar as pessoas todos os dias. Elas têm de saber que o sucesso também é delas, e nisso haverá retorno”, afirma. Actualmente, o BAYQI tem 24 colaboradores, dos quais 15 em Angola, seis em Portugal e três na Índia, explica, com orgulho, a também economista. Falar dos números da sua empresa não lhe dá conforto, ainda mais  num  mercado  “onde  se  escondem  as  estatísticas”.  Ainda assim, revela que, no BAYQI, o investimento “foi essencialmente em capital humano”, para além de cerca de 10 milhões Kz de capital inicial.

“Hoje, a plataforma está avaliada em mais de 200 milhões Kz. O digital é muito mais poderoso do que o físico, mas, no nosso País, não se dá a devida importância a isso”, afirma. “Precisamos de investidores que entendam do negócio e lhe agreguem valor”, defende a gestora. Ainda assim, diz que não vê dificuldades, mas, sim, muitos desafios pela frente, num mercado que, segundo os seus cálculos, começa a crescer bastante. “É só entrarmos no Facebook, encaramos grupos de vendas de produtos e serviços. Calculo que o mercado angolano de e-commerce já movimente mais de 10 milhões USD anualmente”, arrisca a nossa convidada.

Fátima Almeida vislumbra, assim, muitas oportunidades no mercado digital em Angola, e muito boas empresas, mas critica a falta de financiamentos, por haver falta de visão. “O investimento em equipamentos e know-how internacional para o e-commerce é alto, daí a necessidade de haver mais apoios, só assim grandes aplicações podem ser feitas em Angola”, sublinha.

Mas dá o exemplo da sua plataforma para dizer que, com persistência, todos são capazes de vingar. “O BAYQI, três meses após o lançamento, já era auto-sustentável. Todos os dias é uma luta, negociamos com fornecedores. Temos de correr atrás, porque raramente acreditam nos nossos sonhos. No início, várias vezes fui chamada de louca, expulsa de reuniões, diziam que o meu projecto não tinha ‘pernas para andar’. Hoje somos auto-sustentáveis. Se não acreditasse em mim, não estaria aqui hoje.” Orgulhosa das suas conquistas, revela que o BAYQI já entregou compras em 17 províncias de Angola, faltando apenas o Zaire. Nos primeiros 12 dias, conseguiram 133 inscritos, sendo que cada inscrição é tida como uma intenção de compra. Hoje, tem 5 mil potenciais clientes inscritos, mais de 100 mil seguidores e mais de 1 milhão de visualizações de vários pontos do mundo.

Pagamentos internacionais ajudam o negócio

Luanda, Cabinda, Uíge, Benguela e Huíla lideram as vendas. “Inicialmente, o produto mais vendido eram sapatos. Chegámos a vender, mensalmente, 30 pares de sapatos-fivela. Hoje as fraldas Pampers vendem muito mais, por serem baratas”, explica,adiantando que o prazo de entrega de produtos vindos de Portugal é de oito a dez dias. Produtos nacionais, dois a quatro dias. Os produtos electrónicos também têm muita procura, estando o stock esgotado. Uma loja que tenha produtos electrónicos e entre na plataforma tem de se preparar, porque “as pessoas compram muito”. O iPhone, por exemplo, esgota rápido. Mas nem tudo está bem. Por exemplo, a falta de uma solução de pagamento internacional ainda não está resolvida, estando previsto que esteja dentro de dois meses. “Nessa altura, teremos acordos com vários fornecedores internacionais e vamos colocar o mundo dentro do BAYQI, o que se vai reflectir nos preços do mercado nacional. Para facilitar as entregas, alguns países serão abastecidos por pontos estratégicos que vamos abrir na América do Sul, Europa e América do Norte”, avança.

Para Fátima Almeida, em Angola, o maior desafio do mercado é informar as pessoas, pois, “com mais informação, as pessoas teriam maiores conhecimentos” na área. “O e-commerce pode mudar a economia de Angola em todos os sentidos, porque somos um País que vive de importação e pode adquirir muitos equipamentos e produtos sem gastar com passagens, hospedagem e outros custos”, observa a economista. Fátima Almeida aconselha a tomarmos os exemplos do Quénia e da Nigéria como referências do e-commerce em África, por estarem bem desenvolvidos na matéria. E garante que acredita que “o povo angolano tem mais capacidades e propensão para o uso destas plataformas. Somos cidadãos mais cultos, chiques, intelectuais e gostamos de novidades”.

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