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Brunch With…Mila Malavoloneque

27/12/2017 - 09:10, Brunch with, featured

Aos 25 anos, a jovem empreendedora angolana lidera a revista e plataforma digital Jovens da Banda e faz parte do grupo de quatro embaixadores mundiais da Juventude para a região da SADC.

Por Líria Jerusa | Fotografia Njoi Fontes

Tudo começou em 2010, quando Mila Malavoloneque, que estava a fazer o primeiro ano da faculdade, residia na África do Sul, para onde emigrara a fim de se formar. Na época, a nossa convidada estava a licenciar-se em Direito pela Universidade de Witwatersrand, e foi precisamente o contacto que teve com a cadeira de Direito Constitucional que despertou em si o desejo de criar um projecto que mostrasse o trabalho de jovens que se esforçam para desenvolver uma sociedade melhor.

“Quando se ouve falar de jovens angolanos, a imagem que se passa tanto lá fora como aqui é de pessoas sem qualquer responsabilidade, que só vivem para festas e álcool. Mas eu sabia que não era bem assim, porque conhecia muitos jovens que faziam coisas diferentes. E pensei comigo mesma: tenho de mostrar estes jovens”, conta.

Foi então que, ainda estudante, decidiu criar um blogue que falava sobre os jovens que faziam diferença e trabalhavam em prol de uma sociedade melhor.

“Na altura, andei atrás de pessoas que eu conhecia. Alguns eram meus amigos, que faziam trabalhos exemplares. Fui fazendo as entrevistas, mas precisava de um sítio para publicá-las, e não conhecia muitas plataformas online, apenas o Club-K e o Platinaline”, lembra.

O início

“Comecei pelo Club-K, tinha uma coluna e falava sobre os trabalhos destes jovens, mas não estava ali o público ideal. Fui duramente criticada, tive de deixar o Club-K e passei a escrever no Platinaline, mas também não era o local apropriado”, explica.

Apesar de todas as barreiras, Mila Malavoloneque não se deixou abater e, passado algum tempo, com ajuda de mais dois amigos, criou o projecto Jovens da Banda, que, mais tarde, viria a tornar-se numa revista. “Criámos a revista em formato PDF e, na altura, divulgávamos exemplos de jovens que, apesar de estarem no anonimato, já faziam muito pelo nosso País. Precisava de dar voz a essas pessoas”, lembra.

Passado algum tempo, Mila Malavoloneque viu-se na necessidade de sair do formato online e passar para o físico, tendo em conta o público-alvo.

“Chegou uma altura em que vimos que o nosso público-alvo se centralizava apenas na classe mais elitista, porque, como era uma revista online, era necessário que os leitores tivessem um smartphone, Internet, o que era difícil na época”, disse.

“Achámos que era preciso mudar, porque nem todos tinham esta possibilidade, e nós não queríamos ter apenas um tipo de público, o nosso objectivo era alcançar todos os jovens, mostrando bons exemplos de pessoas que, apesar das dificuldades, conseguiram vencer, servir de inspiração para todas as classes”, revela.

Passado algum tempo, o trabalho que desenvolvia resultou num convite para se tornar numa das embaixadoras mundiais da Juventude para a região da SADC.

O convite surgiu numa fase em que a nossa convidada estava a fazer um estágio profissional em Nova Iorque conhecido como Young profissional dedicado a jovens economistas e advogados mas que abrange também outras áreas.

“Eles queriam saber o que eu fazia e chegaram até mim por intermédio dos meus ex-chefes, e eu apresentei-lhes o projecto Jovens da Banda. A partir daí começaram as entrevistas. Não fazia a mínima ideia de que aquilo iria resultar em alguma coisa, achava que estava apenas a participar naquele programa de estágio”, recorda.

Ao regressar à terra natal, em Maio do ano em curso, a nossa entrevistada recebeu oficialmente o convite para tornar-se embaixadora da Juventude a nível mundial no sector da educação para a região da SADC, uma iniciativa ONG-One Young World, em parceria com a Comissão Europeia.

Os desafios

Mila Malavoloneque conta que ser uma das representantes da juventude a nível mundial tem sido um grande desafio, sobretudo no que concerne a desenvolver projectos internamente, mas, apesar das dificuldades, tem sabido contornar a situação.

“Uma das minhas maiores dificuldades é fazer o trabalho aqui dentro, esta é a minha grande batalha”, explica.

Acrescenta ainda que quando abraçou o desafio não sabia bem o que havia de fazer, até pelo facto de nunca ter tido contacto com este tipo de trabalho. “Foi um pouco confuso, pois não sabia o que era esperado de mim, mas hoje compreendo melhor”, confessa.

Ao perguntarmos sobre como é na prática ser embaixadora mundial da Juventude, Mila diz que envolve essencialmente motivar, capacitar líderes jovens para desempenharem um papel activo na sociedade.

“Temos reuniões mensais com a One Young World, que acompanha aquilo que fazemos a nível doméstico, e de duas em duas semanas há reuniões com embaixadores da região da SADC, para encontrar formas de trabalhar juntos”, refere.

A formação e gostos pessoais…

Mila Malavoloneque nasceu na cidade do Lubango, na província da Huíla. Aos 11 anos viajou para a África do Sul, onde acabou por fazer todo o percurso académico.

Licenciada em Direito pela Universidade Witwatersrand, em Joanesburgo, possui também uma pós-graduação em Comércio Marítimo, pela Universidade Kwazulu-Natal, do mesmo país. Falando sobre si, diz que se considera uma mulher bastante determinada e que luta pelos seus objectivos. No que diz respeito aos gostos, revela ter paixão em comunicar. Para o futuro, a jovem empreendedora projecta tornar a Jovens da Bandano projecto de comunicação mais bem-sucedido do País.

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