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Chegou a herdeira de Merkel?

27/02/2018 - 16:17, featured, Global Report

Apelidada de “mini-Merkel”, AKK, como também é conhecida, é a nova número 2 da CDU.

Estará Angela Merkel a preparar a sucessão? A nomeação de Annegret Kramp-Karrenbauer para o cargo de secretária-geral da CDU, na prática o número dois dos democratas-cristãos, indica, pelo menos, que a chanceler pretende injectar sangue novo no partido e, ao mesmo tempo, manter o controlo com a promoção de uma aliada vista como a herdeira da mulher que domina a política alemã há mais de uma década.

Conhecida pelo acrónimo AKK e apelidada de “mini-Merkel” pela imprensa alemã, Kramp-Karrenbauer é vista como uma política séria, ponderada e lógica que, até agora, era ministra-presidente do Sarre, pequeno estado junto à fronteira francesa com um milhão de habitantes.

“Annegret  Kramp-Karrenbauer trará bastante peso ao cargo de secretário-geral numa altura em que enfrentamos tempos difíceis e incertos”, afirmou Merkel numa conferência de imprensa ao lado de AKK. “Conhecemo-nos há muito tempo e confiamos uma na outra, mesmo que tenhamos as nossas próprias ideias”, disse ainda a chanceler, rejeitando que nomeação de Kramp-Karrenbauer, 55 anos, se destine a preparar a sua sucessão à frente da CDU. “É vosso privilégio estarem sempre três voltas à frente de toda a gente”, lançou Merkel aos jornalistas, acrescentando: “Para já, estamos bastante ocupados a gerir o dia-a-dia.”

A verdade é que Merkel aprecia bastante o trabalho de AKK e, no mês passado, a chanceler ficou impressiona  com  o  facto  de  Kramp-Karrenbauer, depois de ter sofrido um acidente de viação, ter continuado a trabalhar nas negociações para a formação de governo a partir da cama do hospital. O politólogo Oskar Niedermayer, em declarações ao diário Handelsblatt, fala de uma “manobra táctica  inteligente”  por  parte  da chanceler.  Ao  chamar  Annegret Kramp-Karrenbauer para o seu lado, Merkel “envia um primeiro sinal muito claro ao debate sobre a sua sucessão”, considera. Embora Merkel já tenha dito que está disponível para continuar como chanceler durante mais quatro anos, a questão da sucessão voltou à ordem do dia depois de o SPD ter incluído no acordo de coligação uma cláusula que prevê a revisão do trabalho do governo ao fim de dois anos e a adopção das alterações que forem vistas como necessárias pelos parceiros desta nova versão da Grande Coligação.

O segundo cargo m ais importante na hierarquia da CDU – a seguir ao de presidente do partido – já foi ocupado por Merkel entre 1998 e 2000 e é visto como a antecâmara natural para a liderança.  E  o  apelido  de  “mini- -Merkel” – ou também “Merkel do Sarre” – não é propriamente descabido, já que as duas políticas partilham várias características: são ambas calmas, discretas e adeptas da análise fria dos factos, dando resposta ao que o analista político Karl-Rudolf Korte, citado pela Deutsche Welle, classifica como o “anseio dos alemães pela estabilidade”.

A nomeação de AKK para o cargo de secretária-geral significa ainda a rejeição por parte de Merkel de uma viragem à direita na CDU ao preterir o outro candidato ao lugar, o conservador Jens Spahn, de 37 anos, até agora visto como uma estrela em ascensão na hierarquia do partido e com ambições de liderança.Apesar do muito que as une – trabalham juntas na direcção da CDU desde 2010 –, classificar AKK como um clone de Merkel não podia ser mais errado. A protestante Merkel nasceu na Alemanha Oriental, enquanto a católica Kramp-Karrenbauer é naturaldo estado ocidental do Sarre. Ao contrário de Merkel, AKK é mãe de três filhos e exibe uma pose mais descontraída, como mostrou ao fazer o tradicional discurso  satírico  de  Quarta-Feira  de Cinzas que encerra o Carnaval alemão. Ainda é cedo para apontar AKK  como  a  herdeira  de  Angela
Merkel, mas, numa sondagem feita em Dezembro , 45% dos membros da CDU classificaram-na como uma sucessora apropriada.

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