Mercado

Companhias devem adoptar boas práticas de gestão

30/11/2016 - 11:35, featured, Finanças

A governança corporativa tem que ver com a administração de empresas, envolvendo a sociedade, o meio ambiente e o mercado.

Por Estêvão Martins

estevao.martins@mediaurmo.co.ao

As companhias de seguros foram instadas a adoptarem boas práticas de governação e normas para a administração de empresas internacionalmente aceites, a fim de manter uma boa imagem da organização.

O apelo foi feito durante a realização da 1.ª Conferência sobre Governação Corporativa, que decorreu em Luanda nesta sexta-feira, 25, com o objectivo de despertar os players do mercado segurador, nomeadamente empresas, para que possam estar alinhados com os princípios da boa governança.

Em exclusivo ao Mercado, o director adjunto da Academia de Seguros e de Fundos de Pensões (ASFP), Júlio Matias, organizadora do evento, diz que entre as vantagens da adopção de boas práticas de gestão, por parte das seguradoras, está o facto de as companhias virem a estar no mesmo diapasão daquilo que são as normas internacionalmente aceites em relação à governança corporativa. Júlio Matias nota que a ASFP constatou que existe uma iniciativa desde 2014 no sentido da adopção de boas práticas de gestão no mercado nacional.

Na sua opinião, há bancos que já actuam na base de uma certa governança corporativa, mas no sector segurador não há registo de empresas que demonstrem estar a actuar com base naqueles princípios de governação.
“Existe um conjunto de regras, normas e princípios que as seguradoras devem seguir para que sejam aceites dentro dos organismos que ditam as regras e os procedimentos da governança corporativa”, disse.

Lembra que a governança corporativa tem que ver com a administração de empresas, envolvendo a sociedade, o meio ambiente e o mercado. No fundo, avança, trata-se de um conjunto de condutas de gestão da organização que envolve hábitos, valores e princípios.

Para Júlio Matias, dentro daquilo que é a boa governança, deve haver primazia na relação com os agentes do mercado, quer sejam clientes internos ou externos.

Ou seja, segundo frisa, as empresas devem primar, igualmente, pelas boas relações com os seus trabalhadores.

E é através da boa governança que é espoletado esse tipo de conduta, que faz parte da gestão das empresas, segundo sublinha.

De acordo com o entrevistado, a boa governança no sector segurador visa também despertar os próprios gestores, não só em relação à boa governança corporativa, mas também no sentido de se manter uma imagem positiva da empresa.

“A medida serve ainda para que se possa evitar problemas fiscais, sendo que a boa governança corporativa visa mitigar esse tipo de situações”, refere.
Outra questão tem que ver com o respeito da própria sociedade e o meio ambiente, mitigar os problemas jurídicos com os segurados, redução de riscos de imagem, boa reputação, promoção da qualidade de vida dos colaboradores, melhor clima organizacional, evitando conflitos e, por último, atingir relações globais aceites.

“Estamos a falar de condutas que as empresas devem ter a fim de estarem alinhadas com aqueles padrões internacionalmente aceites dentro das normas das organizações, possibilitado um crescimento com maior sustentabilidade”, explica.

Pilares a seguir

Dentro da governança corporativa esses são os objectivos principais, segundo salienta. Pontualiza que existem quatro pilares que fazem parte da governança corporativa, nomeadamente a transparência, a equidade, a prestação de contas e a responsabilidade corporativa.

Na transparência, Júlio Matias ressalta que é necessário que os processos sejam claros, fundamentalmente para a sociedade e para o Estado, “porque é o Estado que faz o monitoramento de determinada empresa, e é a sociedade que adquire os seguros dentro nas companhias”, revela.

Outra questão prende-se com os investidores que perseguem a transparência. Júlio Matias disse ainda que a equidade se prende com a discriminação, que não pode vigorar dentro da governança corporativa.

“Todos devem participar neste processo e são importantes dentro de um grupo que visa atingir os objectivos da própria organização. A prestação de contas e apresentação de relatórios é bastante importante, e a empresa assume outra postura dentro do mercado quando isso acontece”, garante.

Por fim, Júlio Matias explica que a responsabilidade corporativa tem igualmente como objectivo tornar o negócio duradouro, e para tal é fundamental investir na sustentabilidade e na corporação responsável, sendo a sociedade um factor fundamental para a sobrevivência das empresas.

A conferência contou com a participação de administradores e CEO das principais seguradoras do mercado, além de responsáveis de diferentes empresas onde a governança corporativa é um facto.

O certame debateu os temas – “A governança de TI como factor decisivo na implementação da governança corporativa nas organizações – Uma abordagem sobre o sector segurador”, “Relato financeiro no sector segurador – Uma abordagem sobre as IAS/IFRS”, além de uma mesa-redonda sobre a governança corporativa no sector segurador.

Gosta deste artigo? Partilhe!

Deixe o seu comentário

You must be logged in to post a comment.