Mercado

A discrição meticulosa do novo presidente do BFA

16/01/2017 - 11:17, featured, Finanças

Há mais de 10 anos que Isabel dos Santos confia no economista, formado no Porto, para os seus negócios com Portugal.

Por Fernanda Mira

Mário Leite da Silva vai assumir o cargo de presidente do conselho de administração do Banco de Fomento Angola (BFA), substituindo Fernando Ulrich. O anúncio foi efectuado pela Unitel, após a concretização da venda realizada pelo Banco BPI de 2% do BFA à operadora angolana, passando esta, agora, a controlar a entidade bancária.

Nas primeiras declarações enquanto PCA da instituição, Mário Leite da Silva indicou ao Jornal de Negócios que um dos objectivos do novo accionista maioritário é “assegurar a posição internacional do BFA como banco de referência junto de investidores e demais parceiros”.

O também PCA da Santoro sustentou que, “pela sua dimensão e complexidade, este é, sem dúvida, um caso financeiro de sucesso. O BFA vai manter os processos de criação de valor, afirmando-se como uma instituição cada vez mais eficiente financeira e operacionalmente, nunca deixando de preservar a solidez do balanço e a posição de capital”.

O assegurar a “posição internacional” da instituição é definido por Mário Leite da Silva como um dos principais objectivos da estratégia do BFA, por forma a que este se reforce como banco de referência junto de investidores e demais parceiros, mantendo em simultâneo a coesão accionista.
“Paralelamente, vamos dinamizar competências próprias, seja ao nível dos recursos humanos, seja ao nível de sistemas, transformando o BFA num pólo central de competências no sector bancário da África Austral”, vincou o responsável ao mesmo jornal português, numa das raras vezes em que falou para órgãos de comunicação social.

Refira-se que a Unitel passa a deter 51,9% do capital do BFA, ficando os restantes 41% nas mãos do BPI. Acrescente-se que a venda dos 2% do Banco de Fomento Angola por parte do BPI à Unitel foi aprovada em assembleiageral no dia 13 de Dezembro do ano passado pelos accionistas do banco liderado por Fernando Ulrich.

A nomeação de Mário Leite da Silva, de 44 anos, não causou estranheza no mercado, já que o economista é, desde há muito, um dos braços-direitos e homem de confiança da empresária angolana e que coordena todos os negócios desta em Portugal.

Isabel dos Santos conheceu Mário Leite da Silva há cerca de uma dúzia de anos. Estávamos em 2005, quando o então jovem gestor era director financeiro do grupo Amorim. O seu perfil discreto e a forma meticulosa como preparava as reuniões cedo chamaram a atenção, nomeadamente durante a criação do BIC Angola, de Isabel dos Santos.

Em pouco mais de um ano, em 2006, Leite da Silva deixa o grupo de Américo Amorim e passa a trabalhar directa e exclusivamente para a empresária.
De então para cá, tem assumido cargos de administrador em quase todas as empresas onde Isabel dos Santos tem participação.

Formado em Economia pela Universidade do Porto e com um mestrado em Ciências Empresariais da mesma instituição, iniciou a sua carreira profissional como analista de crédito do BNC (actual Banco Popular Espanhol). Mais tarde liderou equipas de auditoria na consultora PwC e foi director financeiro da Grundig Portugal antes de entrar no Grupo Amorim, onde teve a seu cargo a direcção financeira. Aqui foi também responsável pelas áreas administrativa, jurídica, fiscal e de recursos humanos.

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