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Empresas antecipam câmbio do euro a 300 kz

12/02/2018 - 09:59, featured, Markets

Principais companhias dos sectores importadores estão a refazer orçamentos para este ano, apostando numa taxa de câmbio de 270 Kz a 300 Kz por um euro. Moeda nacional já perdeu quase 40% face à europeia desde o início deste ano.

Por Ricardo David Lopes

As principais empresas dos sectores da distribuição alimentar, transportes, automóvel, telecomunicações, farmácia e saúde, e aviação, assim como vários prestadores de serviços à indústria petrolífera, estão a rever os seus orçamentos para este ano, usando como intervalo para a taxa de câmbio de referência do
kwanza face ao euro valores entre os 270 e os 300 Kz, apurou o Mercado.

De acordo com fontes dos sectores, auditores, consultores e juristas ouvidos pelo Mercado, as empresas, mesmo antecipando que a moeda nacional deveria desvalorizar-se em 2018 face ao euro e ao dólar, tendo em conta o discurso e os planos oficiais do Governo – alertando para sobrevalorização, em termos reais, do kwanza face ao dólar e euro –, prepararam os seus orçamentos para este ano com base em perspectivas mais ‘optimistas’.

Mas os resultados do primeiro leilão de divisas com câmbio flutuante, que ocorreu no passado dia 9 de Janeiro, e os seguintes – no sentido de fortes depreciações do kwanza – levaram as empresas a antecipar uma revisão dos seus orçamentos, de modo e evitar ‘surpresas’ negativas ao longo do ano – sobretudo as que vivem de produtos importados para manterem os seus negócios a funcionar.

“Quando preparamos os orçamentos, temos ideia daquilo que deveremos precisar de importar, e fazemos uma previsão do valor em kwanzas, adicionando um intervalo de segurança, de que iremos precisar. Face à forte desvalorização que se fez sentir logo que começaram os leilões em câmbio flutuante, e ao facto de o euro ser agora a moeda de referência, em vez do dólar, foi necessário rever os orçamentos, para cabimentarmos mais kwanzas para fazer face às encomendas que deveremos fazer”, explica um operador do sector do retalho alimentar.

9 de Janeiro: o início da queda

No dia 9 de Janeiro, recorde-se, o Banco Nacional de Angola (BNA) realizou o primeiro leilão de divisas em sistema de câmbio flutuante, o que levou o câmbio do dólar a passar, de imediato, de cerca de 166 Kz para 185 Kz, e do euro, de 186 Kz para 221 Kz.

Desde então, a entidade liderada por José de Lima Massano realizou mais leilões – e em todos o kwanza sofreu novas depreciações. Nesta quarta-feira, dia de fecho do Mercado, de acordo com o websitedo BNA, o valor de compra do dólar estava a 209,124 Kz, e o do euro, a 258,038 Kz, o que significa que o kwanza perdeu aproximadamente 25% face à moeda norte-americana e quase 38% em relação à moeda europeia. Recorde-se que, desde o primeiro trimestre de 2016, a taxa de câmbio oficial definida pelo BNA estava fixa nos 166 Kz por cada dólar norte-americano e nos 186 Kz por cada euro. Quando anunciou que iria avançar para o sistema de câmbio flutuante, no dia 4 de Janeiro, na sequência de uma reunião do Comité de Política Monetária, o BNA explicou que o regime cambial que vigorara até então consistia numa taxa de câmbio administrada, determinada pelo banco central,“ independentemente da relação entre a procura e a oferta”.

“Doravante, o BNA adopta um regime cambial caracterizado pela flutuação da taxa de câmbio dentro de um intervalo, com um limite máximo e um limite mínimo. Esse intervalo é denominado de banda cambial”, indicou o banco central, explicando que levaria a cabo leilões de compra e venda de moeda estrangeira, nos quais os participantes – bancos comerciais – indicarão o preço (taxa de câmbio) para a compra ou venda de moeda estrangeira. “A média ponderada dessas transacções será publicada no portal institucional do BNA, como a taxa de câmbio de referência.

Ou seja, doravante, a taxa de câmbio passa a ser determinada pelas transacções que ocorrem, em leilão, no mercado primário”, avançou o BNA, que disse ter feito uma “análise do comportamento dos fundamentos macroeconómicos da economia angolana” e da “tendência decrescente das reservas internacionais”, tendo como pano de fundo “ o actual desequilíbrio entre a oferta e procura de divisas”, para definir “limites máximo e mínimo da banda cambial” – que nunca foram divulgados. “O BNA fará a gestão do mercado cambial de modo a garantir a sustentabilidade das contas externas e a estabilidade dos preços.”

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