Mercado

Filomena Oliveira “É importante desmistificar a ideia de uma Angola pouco transparente”

01/12/2017 - 09:30, featured, Markets

O País deve “arrumar a casa” e mostrar que está a dar os passos certos para implementar a bolsa de acções, defende a vice-presidente do regulador da praça portuguesa (CMVM). Privatizações poderão atrair internacionais.

Por Ricardo David Lopes   | Fotografia  Njoi Fontes

Veio a Luanda para o Fórum da Comissão do Mercado de Capitais (CMV), no fim da semana passada, e partilhou a experiência da bolsa de Lisboa, que floresceu há mais de 20 anos. Em exclusivo ao Mercado, deixa um alerta: a bolsa angolana tem tudo para correr bem, mas é preciso insistir na transparência. Senão, virão apenas investidores de má qualidade.

Que balanço faz deste Fórum da CMC e o que leva de cá?

Foi uma iniciativa importante para o País e para o mercado. Este tipo de diálogo entre os vários stakeholders tem de ser alimentado, e este é, provavelmente, o momento adequado para o fazer. Foi com alguma surpresa – agradável – que encontrei, nos contactos que fiz, quer na CMC, quer no evento, uma grande juventude. Há uma nova classe a emergir, uma classe de pensadores, de executores, nota-se uma formação académica e técnica, em alguns casos, bastante forte, que constitui um factor de esperança muito importante para o mercado. E, acima de tudo, vê-se a existência de uma certa quebra cultural, uma mudança geracional.

Que balanço faz deste Fórum da CMC e o que leva de cá?

Foi uma iniciativa importante para o País e para o mercado. Este tipo de diálogo entre os vários stakeholders tem de ser alimentado, e este é,provavelmente, o momento adequado para o fazer. Foi com alguma surpresa – agradável – que encontrei, nos contactos que fiz, quer na CMC, quer no evento, uma grande juventude. Há uma nova classe a emergir, uma classe de pensadores, de executores, nota-se uma formação académica e técnica, em alguns casos, bastante forte, que constitui um factor de esperança muito importante para o mercado. E, acima de tudo, vê-se a existência de uma certa quebra cultural, uma mudança geracional.

 O mercado arrancou em Angola com a negociação de dívida pública em mercado secundário. É o percurso normal?

Em geral, os mercados iniciam-se através da dívida secundária. Em Angola, tanto quanto percebo, será preciso criar uma curva de rendimentos na dívida pública. O mercado secundário vai depender muito da capacidade que o próprio mercado e o Tesouro tiverem de criar essa uma curva. Há ainda uma grande apetência por títulos de curto prazo. A maioria das necessidades de financiamento do Estado é satisfeita, por enquanto, com títulos de curto prazo, ainda que as necessidades, em si, sejam de longo prazo, porque há reformas estruturais que têm de ser feitas.

E como se muda essa apetência?

Com estabilidade política, com a transmissão de uma imagem de confiança sobre os poderes instituídos, com modelos de coordenação e informação transparentes. A informação vai ter um papel fundamental. Não pode haver reportes dualistas, que não sejam conclusivos, há que ter métricas nas empresas, porque as interpretações são sempre subjectivas. O próprio Estado também tem de dar o exemplo, caso contrário, muito dificilmente se vai criar confiança para que haja investimento a longo prazo. Quem é que vai investir a longo prazo, mesmo em títulos públicos, se não tiver confiança na estrutura e modo de funcionamento do Estado? E o mesmo se aplica ao nível das empresas.

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