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Fitch e Moody’s podem “mexer” na notação de risco de Angola

17/03/2017 - 13:11, featured, Finanças

O Ministério das Finanças esclarece que a revisão do rating soberano insere-se na sétima avaliação anual da notação.

Por Pedro Fernandes

pedro.fernandes@mediarumo.co.ao 

Duas missões da Fitch e da Moody’s, agências internacionais de notação de risco soberano, avaliaram esta semana, em Luanda, os desenvolvimentos recentes dos principais indicadores macroeconómicos, a balança de pagamentos, o desenvolvimento do sistema financeiro, o regime de câmbio no sector do petróleo e as reservas internacionais angolanas.

A iniciativa consta de um projecto que exigiu a visita das duas equipas a Luanda onde, em oito dias, as duas missões apreciaram o programa de governação económica e o ambiente de atracção de investimento para o País. Da avaliação pode resultar, a qualquer momento, a emissão positiva ou negativa notação de risco soberano de Angola.

Segundo o Ministério das Finanças, as equipas das agências de notação analisaram igualmente a performance do sector petrolífero, o perfil de produção, as novas descobertas, a venda em leilão de blocos e níveis de reservas, o estado actual da banca comercial, a política monetária e os seus resultados.
As delegações das duas agências de rating (um relevante instrumento para os investidores, pelo fornecimento de uma opinião independente, a respeito do risco de crédito da dívida de determinado país) avaliaram igualmente, e de modo conjunto com a equipa económica do Executivo, o financiamento e gestão da dívida pública, a carteira de empréstimos, o processo de regularização de atrasados internos, o processo de reforma fiscal e o programa de potenciação da receita tributária para 2017.

Durante a permanência em Luanda, as equipas analisaram os objectivos do Orçamento Geral do Estado (OGE) e os condutores de rating que afectam a classificação soberana do Estado angolano, para além de manterem encontros com responsáveis dos ministérios das Finanças, da Economia, Planeamento e Desenvolvimento Territorial, Comércio, Petróleos, Banco Nacional de Angola, e também com altos responsáveis da Sonangol, do Fundo Soberano de Angola, a Agência Promotora para o Investimento para Exportação (APIEX), representantes da petrolífera Total Angola, delegação do Fundo Monetário Internacional e a Embaixada dos Estados Unidos da América em Angola.

Em finais de 2016, a Fitch desceu o rating da dívida soberana de Angola para o nível ‘B’, mantendo-se abaixo da escala de investimento, com perspectivas de evolução ‘negativa’. A avaliação pode reduzir ainda mais o “apetite” dos investidores em relação ao mercado angolano, numa altura em que o País, nestes últimos quatro anos, atraiu investimentos superiores a 47,3 biliões USD em infra-estruturas, segundo a consultora E&Y.

Saiba mais, na edição nº 95 do Jornal Mercado, já nas bancas. 

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