Mercado

O desempenho do sector financeiro em retrospectiva

19/12/2016 - 09:31, featured, Finanças

O sistema financeiro angolano foi marcado por factos, em 2016, cujas consequências determinaram a mudança de paradigma, principalmente no segmento bancário.

Por Estêvão Martins, Fernando Baxi e André Samuel | Fotografia Walter Fernandes

A alavancagem de crédito traiu o actual presidente do clube Progresso Associação do Sambizanga.

Independentemente do contexto macroeconómico, em 2016, o Banco de Crédito do Sul iniciou a actividade bancária e anunciou-se o registo do Banco Postal, bem como a sucursal do Banco de Desenvolvimento da China, alargando assim o número de instituições bancárias no sistema financeiro no País.

Finanças

A alteração profunda que a economia angolana sofreu nos seus fundamentos, desde o segundo semestre de 2016, teve reflexo significativo no desempenho dos diversos sectores da economia, como resultado da combinação das restrições de investimento e do consumo interno e externo.

Contudo, a média da taxa de crescimento dos sectores manteve-se sempre positiva, principalmente no universo dos sectores não-petrolíferos.

A nível dos preços, por exemplo, assistiu-se a um movimento adverso, com a taxa de inflação a acelerar, fruto de um significativo choque do lado da oferta.
Um conjunto de políticas restritivas combinadas, com o objectivo de eliminar a aceleração e, posteriormente, torná-la negativa foi, entretanto, adoptado.
O efeito desfasado das mesmas pode ter sido observado desde o mês de Agosto de 2016, com uma desaceleração da inflação, tendência que se acentuou até este mês de Dezembro.

As restrições das receitas fiscais e de divisas que vinham dos anos anteriores estenderam-se ao longo do ano 2016. Isso levou a ajustamentos pontuais, até ao nível cambial, que conferiu alguma folga a um modelo de colocação de divisas focado na priorização das necessidades nucleares das famílias e das empresas/instituições.

Dado o nível de risco de crédito da economia, o Estado usou a sua credibilidade para expandir os seus níveis de endividamento, por forma a manter um nível mínimo de procura agregada, procurando viabilizar a actividade de um extenso segmento da economia privada.

Contudo, procurando manter os seus níveis de endividamento dentro dos limites considerados sustentáveis, respeitando ainda as mais recentes projecções de receitas, procedeu-se igualmente a um ajuste fiscal no mês de Setembro, por via da revisão do Orçamento Geral do Estado (OGE), que contemplou reduções expressivas do consumo público (em particular, despesas de bens e serviços).

As projecções mais recentes para o fecho do ano 2016 apontam para um crescimento da economia não-petrolífera na ordem dos 1,2%, que, combinado com um crescimento de 0,5% do sector petrolífero, gera um crescimento global de 1,0% (que corresponde a um abrandamento de 2,0 pontos percentuais, quando comparado com a taxa de crescimento dos anos anteriores).

O sector da indústria, com uma taxa de crescimento negativa de 3,9%, foi o mais afectado devido ao aumento do gapde poupança da economia, que levou ao aumento do custo de financiamento.

Outros factores que podem explicar o mau desempenho do sector indústria são o abrandamento da procura orientada à produção interna e os constrangimentos ligados ao acesso a divisas para importação de matéria-prima e componentes industriais.

Por sua vez, os sectores da energia (19,9%) e da agricultura (6,7%) apresentaram um desempenho muito positivo, reflectindo a eficácia de vários programas em curso nestas áreas.

O sector agrícola confirma, assim, uma trajectória de estabilidade, que traz de anos anteriores. Depois da profunda estiagem que assolou áreas extensas do País e que afectou negativamente a actividade agrícola no ano de 2012, implicando um crescimento negativo na ordem dos 22,5%, o sector registou um expressivo revigoramento em 2013, apresentando uma taxa de crescimento de 42,3%.

Em 2014, este sector verificou uma forte desaceleração, crescendo à taxa de 11,9%, tendo estagnado no ano de 2015 (crescimento de 0,8%).
Sendo o sector com o terceiro maior peso no PIB (13,0%), as flutuações no seu ritmo de crescimento determinam, em grande medida, as flutuações no PIB global durante os anos e em 2016.

Seguros

O sector segurador e de fundos de pensões em Angola foi severamente afectado pelo crescimento da própria economia, prevalecendo uma reduzida taxa de penetração do PIB, 1% apenas, quando comparada com outros mercados.

O sector, contudo, tem vindo a crescer e a desenvolver-se de um modo sustentado e acelerado. O desenvolvimento económico que Angola observou nos últimos anos, aliado ao aumento do ambiente regulamentar, contribuiu para este desenvolvimento e atractividade do sector.
O sector continuou ao ritmo de crescimento de mais de uma seguradora/ano. Nesta altura, o mercado dispõe de 22 players, sendo que em 2016 houve o registo da entrada de duas companhias, nomeadamente a Royal e a Fortaleza Seguros.

A Royal Seguros tem como função a exploração de seguros do ramo vida e não-vida. Já a Fortaleza Seguros trabalha com clientes particulares e empresas. Possui uma forte presença em todos os principais sectores da economia nacional e apresenta uma vasta gama de produtos, desde o seguro automóvel à solução saúde internacional, passando pelo fundo de pensões.

Entre os novos produtos lançados este ano no sector, há a destacar o seguro desportivo lançado pela ENSA e pela Global Seguros, o ADC (Autorização de Débito em Conta), que permite o pagamento de produtos de seguros em prestações mensais, trimestrais e semestrais.

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