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OPEP chega a um acordo para redução de petróleo

01/12/2016 - 08:52, featured, Finanças

Angola irá cortar a produção em 87 mil barris diários, para os 1,673 milhões de barris por dia.

Por Paulo Narigão Reis

Depois de meses de indecisão, de avanços e recuos, a OPEP chegou finalmente a acordo para reduzir a produção de petróleo. “Conseguimos alcançar um acordo”, declarou o ministro da Energia do Catar, Mohammed Saleh al-Sada, que preside à conferência da organização, após a reunião dos 14 países do cartel em Viena.

O compromisso acordado reduz a produção em 1,2 milhões de barris por dia, limitando-a a 32,5 milhões de barris diários. Ao mesmo tempo, a Rússia “comprometeu-se a reduzir em 300 mil barris” a sua produção, ou seja, metade da redução pedida aos países que não fazem parte da OPEP.

A consequência imediata do acordo para o corte na produção, o primeiro desde 2008 por parte da OPEP, foi a subida imediata do preço da matéria-prima: poucas horas depois do acordo de Viena, o Brent (benchmark da produção de Angola) estava a ser negociado acima dos 50 USD por barril. Também as acções das empresas petrolíferas tiveram direito a um impulso: a Shell valorizou 4,2%, seguida da BP, que subiu 3,8%.

As exigências do Irão, que queria aumentar a produção para os níveis anteriores à imposição das sanções ocidentais, eram um dos factores que estavam a bloquear as negociações, mas, segundo a Bloomberg, a Arábia Saudita, principal produtor do cartel, aceitou ceder em alguns pontos. Assim, Teerão não só não terá de cortar a produção como poderá aumentá-la para 3,9 milhões de barris por dia, regressando assim ao nível pré-sanções.

Após semanas de intensas negociações, o alinhamento dos 14 países que formam o cartel oferece, assim, novo protagonismo aos iranianos e constitui uma vitória para o governo de Teerão, que desde o início do ano, quando foram levantadas as sanções impostas por causa do seu programa nuclear, procurou sempre obter um estatuto de excepção, agora conseguido.

“Trata-se de um banho de realidade para os cépticos que previam a morte da OPEP”, considera Amrita Sen, analista-chefe da Energy Aspects, citada pela Bloomberg.

Angola também corta

Se o Irão foi o único membro da OPEP autorizado a aumentar a produção, Líbia e Nigéria conseguiram manter a isenção. Todos os outros membros aceitaram reduzir o output. Angola irá cortar a produção em 87 mil barris diários, passando de 1,751 milhões por dia (nível registado em Setembro) para 1,673 milhões de barris/dia.

O corte mais substancial virá, naturalmente, da Arábia Saudita, já que é o maior produtor: os sauditas reduzirão o output em 486 mil barris diários, para 10,058 milhões.

O Iraque aceitou reduzir a produção em 210 mil barris diários, enquanto Emirados Árabes Unidos e Kuwait produzirão menos 139 mil e 131 mil barris diários, respectivamente.

Por sua vez, a Indonésia decidiu suspender o seu estatuto de membro da OPEP, já que, sendo também importador, recusou cortar a sua produção e contribuir para a subida do preço.

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