Mercado

Preços estáveis e stocks garantidos para a quadra festiva

12/12/2016 - 09:27, featured, Finanças

A variação mensal do custo de vida na capital do País foi de 1,7% em Outubro, contra os 2,14% do mês anterior (Setembro), atingindo assim o menor aumento desde o início do ano.

Por Pedro Fernandes | Fotografia Carlos Muyenga 

É comum assistir-se à subida de preços no final de cada ano. A frenética correria aos supermercados e a limitação nos stocksdos agentes comerciais concorrem para o efeito. Por forma a dar cobro, o Executivo e as empresas de distribuição garantem cenário diferente para este ano.

“Lá vem o Natal!” Uma das frases mais propaladas nestes dias representa a época mais esperada do ano. O Natal sempre foi sinónimo de luzes, lojas repletas de gente e de fartura.

Mas a variação, ascendente, nos últimos meses, do custo de bens de consumo e dos bens alimentares que compõem a cesta básica poderá alterar o panorama habitual nesta época do ano.

A variação mensal do custo de vidana capital do País foi de 1,7% em Outubro, contra os 2,14% do mês anterior (Setembro), atingindo assim o menor aumento desde o início do ano, segundo dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE).

Os preços subiram de modo generalizado na ordem dos 40% em Outubro do corrente ano, comparativamente a igual período de 2015. Recorde-se também que no mês anterior a variação homóloga foi de 39,44%, face ao ano transacto.

A referência do INE denuncia o agravamento nos preços dos alimentos, principalmente quando se tem em conta as percentagens já acumuladas desde o último trimestre de 2014, altura em que se começa a desenhar o caminho para o contexto económico em que Angola se encontra.
Há quatro meses, 1 kg de arroz custava 420 Kz, ao passo que 1 kg de feijão se calculava a 995 Kz, o pão carcaça, 140 Kz, enquanto 1 l de óleo alimentar custava perto dos 1500 Kz.

Diante do cenário, o Executivo encetou algumas medidas para conter os preços dos principais bens de consumo. O decreto presidencial publicado recentemente estabelece o controlo de preços de mais de 30 produtos básicos, como o açúcar, o sal, a batata, a farinha, a carne, a fuba e o leite em pó.

Parecer da ECODIMA

Paralelamente a todo este cenário, a ECODIMA, Associação das Empresas de Comércio e Distribuição Moderna de Angola, afirma que o Banco Nacional de Angola (BNA) tem priorizado a atribuição de divisas a “operadores”, aumentando os níveis de importação de bens alimentares, o que, segundo a associação, garantiu a redução e estabilização de preços para a época natalina.

Para o efeito, entre 28 de Novembro e 2 de Dezembro, o BNA disponibilizou 22,4 milhões EUR para operações com a cesta básica. “Todos os dias entram mercadorias diversas no País, especialmente bens alimentares. A chegada desta carga originou uma redução significativa dos preços de alguns produtos no mercado disse ao Mercado, o presidente da ECODIMA, Raul Mateus.

Avança que caso continue a haver alocações de divisas com regularidade, mesmo tendo em conta as adversidades do contexto actual, haverá maior estabilidade dos preços.

Garante que os associados têm assegurado a oferta dos bens essenciais durante o período festivo, fundamentalmente produtos da cesta básica, nomeadamente farinha de trigo, açúcar, farinha de milho, arroz, óleo de soja, feijão, leite em pó, entre outros.

“As empresas já estão a notar um retorno da confiança dos consumidores”, afirma. No início do ano, adianta, era notável algum receio devido à alteração “gravosa” nos preços de modo geral.

Raul Mateus reconhece que a insustentabilidade alimentar no País é um facto, dependendo, consideravelmente, das importações, uma questão que exige maior regularidade e extensão na atribuição de divisas às operadoras.

Segundo empresário, o “aperto” proporcionou aos consumidores mais responsabilidades no acto de compra: “Assinala-se neste momento maior oferta, mas também menor poder de compra por força da desvalorização da moeda, sem que, no entanto, se fizesse o proporcional reajuste salarial”, frisa.

“Verificamos agora que as pessoas só compram aquilo que efectivamente necessitam. Daí que é inócuo traçar prioridades. Com isso, as distribuidoras também só importam ou importarão os bens alvo de compra pelos consumidores, basicamente os bens da cesta básica”, reforçou.

Segundo o Instituto Nacional de Cereais, o Natal seria muito mais barato se o País produzisse o equivalente a 2,5 toneladas de milho e 67 mil toneladas de arroz.

O exercício exige uma aplicação financeira de 93 mil milhões Kz, dos quais cerca de 58 mil milhões em divisas para a aquisição de insumos (sementes, fertilizantes e fitofármacos), instalações de silos e unidades de processamento e equipamentos agrícolas.

Retrato das superfícies comerciais

Na capital angolana, as principais superfícies comerciais já se preparam para responder à procura nesta época. Adornos e prateleiras recheadas são facto comum nesta altura.

A equipa do Mercado tentou, sem sucesso, abordar os responsáveis de alguns supermercados para falar dos stocks e níveis de venda que se espera para esta época. Durante o percurso por diversos estabelecimentos, notou-se algum movimento, ainda tímido, de quem procura bens ou cabazes de Natal para a quadra festiva.

De acordo com o Instituto Nacional de Preços e Concorrência, 60% dos produtos em regime de preços vigiados tiveram uma redução de até 78% durante o mês de Outubro. Por exemplo, a laranja, a banana e o sabão em barra são os produtos que mais encareceram neste período.
A mesma estrutura refere que os produtos apresentam preços mais baixos nos mercados informais do que nos supermercados, com destaque para os produtos de produção primária, como a carne, o alho, a alface, a laranja, o peixe e outros.

Punição na alteração de preços

Quem alterar os preços da cesta básica nesta fase será alvo de uma sanção que pode implicar o encerramento do estabelecimento comercial, segundo o Ministério do Comércio.

Para o efeito, o órgão lançou a “Operação Natal Seguro”, uma medida que está a ser desenvolvida em parceria com os órgãos da comissão multissectorial criada para as acções operativas.

Dele vão fazer parte o Serviço de Investigação Criminal (SIC), o Gabinete de Inspecção e Fiscalização do Ministério de Hotelaria e Turismo (Minhotur), o Instituto Nacional do Consumidor (Inadec) e o Laboratório Nacional de Controlo de Qualidade (Lancoq).

A iniciativa vai incidir fundamentalmente sobre a legalidade dos estabelecimentos comerciais e dos aspectos relacionados ao tipo de actividade exercida por lei, com realce para a especulação, qualidade e preços dos produtos.

O Ministério do Comércio realça que o plano de acção relacionado com a “Operação Natal Seguro” foi elaborado com base nos princípios essenciais que permitem a prevenção de actividades ilícitas, a fim de assegurar que os produtos cheguem aos consumidores dentro dos padrões de qualidade e ao preço exigido por lei.

A distribuição na estabilização dos preços

O sector da distribuição, em concertação com o Banco Nacional de Angola e o Ministério do Comércio, tem encetado estratégias de modo a garantir a logística alimentar, e não só, para assegurar o fornecimento de produtos e a manutenção de preços.

A Associação das Empresas de Comércio e Distribuição Moderna de Angola pretende transformar as capitais das províncias em centrais logísticas.
A ideia é tornar as cidades do Namibe, Lobito, Sumbe, Soyo e Cabinda em centros de desalfandegamento de produtos que imediatamente serão escoados para abastecer o Centro e o Sul do País.

Assim sendo, a estrutura pretende que os produtos cheguem ao consumidor a preços mais competitivos, uma vez que os custos com o transporte de mercadorias para os principais centros de comércio tornam os produtos mais caros.

A afectação de recursos cambiais a mais operadores, e com elevada regularidade, produzirá nos próximos meses a estabilização dos preços e o regular fornecimento de produtos às populações, segundo a estrutura.

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