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Qualidade do activo define posição dos melhores bancos

05/12/2016 - 08:41, featured, Finanças

Angola necessita de instituições financeiras sólidas, capazes de serem agentes dinâmicos de financiamento da economia nacional, face à actual conjuntura macroeconómica que também exige maior dinamismo de todas as organizações.

Por Fernando Baxi | Fotografia Njoi Fontes 

Os bancos de Fomento Angola (BFA), Comercial do Huambo (BCH) e Angolano de Investimento (BAI) compõem o grupo das instituições bancárias de referência no sistema financeiro nacional, em 2015, de acordo com os resultados do prémio Sirius, realizado pela Deloitte Angola, que também galardoou empresas de outros sectores.

As duas primeiras instituições bancárias (BFA e BCH) foram consideradas as melhores no conjunto das 27 em actividade; embora sejam de dimensões distintas quanto à posição na banca angolana, como reconheceu Manuel Nunes Júnior, membro do júri.

Segundo ele, ambas se pautaram por critérios de rigor e qualidade de realce.

O reconhecimento das respectivas sociedades bancárias, no exercício financeiro 2015, deveu-se à qualidade apresentada no activo, assim como no gapda liquidez de divisas, depois de uma análise tida aturada sobre os relatos de todos os bancos comerciais.

“Teve-se acesso a vastíssima informação sobre cada um dos bancos e seguradoras que operam no País. Na presente edição, entendemos introduzir alterações nos indicadores e ponderadores de análise, de modo a valorizar aspectos de grande relevância no desempenho actual das instituições creditícias”, explicou Manuel Nunes Júnior.
Para os analistas do sector, Angola necessita de instituições financeira sólidas, bem geridas e sustentáveis, capazes de serem agentes dinâmicos no financiamento da economia nacional, razão pela qual estão convictos na distinção feita ao Banco de Fomento Angola (BFA) e ao Banco Comercial do Huambo (BCH), face ao exercício 2015.

A distinção dos respectivos bancos comerciais é encarada com elevada consideração, no seio da classe empresarial sediada no País, pelo facto de reconhecer a excelência e o talento na actividade das empresas nacionais, nas áreas de relevância para o desenvolvimento económico, num momento particularmente crucial para a economia.

O reconhecimento do BFA e do BCH tem repercussão social pelo facto de ser uma iniciativa da Deloitte Angola, empresa de consultoria, inclusive bancária, que anualmente publica o estudo sobre o desempenho da actividade dos bancos (Banca em Análise), do qual elabora um ranking dos principais indicadores e ponderadores.

“A Deloitte Angola tem conhecimento profundo das sociedades financeiras nacionais; aliás, este resultado é reflexo de uma análise profunda dos indicadores de todos os bancos nacionais. Se calhar, alguns estão a questionar o facto de nenhum deles ser participante activo do projecto Angola Investe”, disse Francisco Jorge, economista.

Embora tenha demonstrado tal aspecto (actividade creditícia), Francisco Jorge perfilha a indicação por ser feita por uma instituição idónea e de reconhecimento internacional. “Ademais, estiveram envolvidos neste estudo pessoas com elevado sentido de responsabilidade nos actos praticados, como é o caso de Manuel Nunes Júnior.”

Apesar de a consagração caber aos dois bancos comerciais acima referenciados, teceram-se elogios a determinadas sociedades financeiras, do ramo bancário, pelo contributo dado à economia, no exercício transacto, o período alvo de tal distinção.

“Uma palavra de agradecimento aos nomeados pela excelência do trabalho desenvolvido e estímulo que todos os anos representam”, declarou um dos administradores do BFA, após a distinção da instituição à qual está vinculado.

Entre os bancos nomeados consta o Banco BIC e o Banco Caixa Geral Angola, que figuram na lista dos maiores contribuintes do programa do Executivo Angola Investe, mesmo no actual contexto macroeconómico, cuja meta é a diversificação da economia.

Para o BFA, a indicação de melhor banco nacional é resultado do trabalho árduo, a fim de conseguir satisfazer as necessidades dos clientes de forma segura e eficiente. A indicação é considerada relevante porque acontece num ano em que a economia sofreu o impacto da redução do preço do petróleo e o mundo condicionou as opções.

Apesar do período de dificuldade, é precisamente na adversidade que se pode confirmar a solidez e consistência de uma determinada organização, considera aquela instituição bancária, a mais lucrativa no sistema financeiro nacional nos últimos anos.

Nas hostes dos membros da administração daquele banco, tido melhor no ano transacto, a par do BCH, o conceito para melhor traduzir a identidade financeira do BFA é fortaleza, “sinónimo de solidez, organização, sustentabilidade e determinação”.

Para Natalino Lavrador, presidente do conselho de administração do BCH, a consagração de melhor empresa do sector bancário, à semelhança do BFA, representa uma responsabilidade enorme, porque todos os agentes económicos estarão atentos ao funcionamento do banco e ao que há para oferecer aos clientes, de forma geral.

Natalino Lavrador também agradeceu o desempenho demonstrado pelos administradores e os restantes funcionários durante os cinco anos de actividade.
“É precisamente no respeito recíproco entre os administradores e colaboradores que está o sucesso do nosso banco”, afirmou o chairman da organização em causa.

O PCA do BCH ainda reconheceu a confiança recebida da parte dos accionistas, desde a abertura daquela instituição financeira.

“Especial agradecimento aos clientes que se fidelizaram ao banco, logo no início do projecto”, disse Natalino Lavrador, integrante do grupo de angolanos que pôs em marcha o processo da tomada da banca no País.

“Os nossos principais objectivos são: manter o nível de solvabilidade, isto é, um nível de consolidação financeira que permita transmitir confiança aos nossos clientes, accionistas, banca internacional e outros agentes económicos internacionais.”

Natalino Lavrador perspectiva também aumentar o proveito, embora seja uma missão muito difícil. Prevê ainda controlar os custos, de modo a manter o ritmo de crescimento orgânico, tal como o nível de desempenho dos principais rácios.

Indicadores do BFA e BCH

O BFA terminou o período financeiro com um resultado líquido quantificado em 37,9 mil milhões Kz, assegurando assim o rótulo de instituição bancária mais lucrativa no sistema financeiro angolano. Também está à frente relativamente aos depósitos de clientes (mais de 1 bilião), ultrapassando na concorrência o banco BAI.

Quanto ao contributo directo à economia, resumido pela concessão de créditos, é calculado em 220,8 mil milhões Kz. Mantém-se entre os cinco maiores do sector, mas continua a ser o que menos financia, quando comparado com os principais bancos.

O banco mais lucrativo de Angola, segundo o mais recente estudo da Deloitte Angola, Banca em Análise 2016, é o quinto no que tange à rentabilidade dos fundos próprios médios (ROAE), com 33%. Ficou na lista das cinco instituições financeiras, no segmento bancário, cujo rácio foi superior a 30%, de acordo ainda com a observação da consultora.

Com um activo calculado em 1,2 biliões Kz, superado apenas pelo Banco de Poupança e Crédito (BPC), é o quarto relativamente ao nível dos rácios de eficiência, porque a taxa do cost to income ficou em 35%, uma redução de 1 p. p., comparativamente a 2014.

A sociedade bancária do Huambo mostrou-se forte na rentabilidade dos fundos próprios médios (ROAE), o peso foi de 63%, superando os 24 bancos concorrentes. O cost to income ficou taxado em 14%, o segundo melhor registo, depois do BDA (5%). E 2,2 mil milhões Kz foi quanto o BCH obteve de lucro, o décimo registo em 2015.

O activo do banco presidido por Natalino Lavrador, no período em análise, foi de 12,5 mil milhões Kz, o vigésimo no conjunto dos 25 bancos angolanos submetidos à análise da Deloitte Angola.

Os depósitos de clientes estão quantificados em 6,9 mil milhões Kz, o que vale o 19.º lugar da lista elaborada pela citada empresa de consultoria angolana.
Durante o exercício de 2015, o Banco Comercial do Huambo (BCH) concedeu crédito no valor de 430 milhões Kz, sendo assim o 19.º no cômputo de 21 bancos, como faz alusão o último estudo da Deloitte Angola, Banca em Análise 2016. Relatório e contas do BAI.

O Banco Angolano de Investimento (BAI) foi distinguido como a instituição bancária nacional com o melhor relatório e contas, no período financeiro 2015, entre os 27 bancos sondados que operam no País. Aquela organização empresarial superou na concorrência BIC, BFA, KEVE, Standard Bank Angola, Caixa Angola e Nossa Seguros.

A vantagem do BAI sobre os concorrentes, na perspectiva do júri, encabeçado por Manuel Nunes Júnior, deveu-se ao facto de a peça informativa produzida espelhar a situação económica e financeira com elevados padrões de rigor e com a qualidade exigida.

“Em face do papel que o sector financeiro vem e deve desempenhar no financiamento da economia nacional, é relevante que o mesmo seja objecto de rigoroso e extenso escrutínio sobre a forma como as instituições que as integram são geridas. Daí a relevância deste prémio e o mérito de quem o conquista”, justificou o júri do prémio.

No relatório e contas objecto de prémio Sirius 2016, o BAI apresentou uma informação detalhada sobre o modelo de governança e como faz a gestão do risco.
Como perspectiva para 2017, o BAI quer manter-se entre os principais operadores do sector financeiro em Angola, consolidar a liderança no segmento de empresas, mas mantendo o percurso de proximidade ao segmento de particulares.

“Estamos a construir um grupo financeiro capaz de oferecer a melhor experiência bancária em Angola, sendo relevantes os investimentos na melhoria contínua da qualidade dos serviços que prestamos a todos os que têm o BAI como o seu parceiro”, disse José de Lima Massano, presidente da comissão executiva do banco.

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