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Rosário Matias: “Vamos manter o foco no apoio ao investimento no agro-negócio”

20/11/2017 - 10:35, Business, featured

O CEO do banco de Investimento Rural (BIR) revela que a instituição tem orientado a sua actividade com vista a especializar-se em banca de investimento, no médio e longo prazo, com foco no apoio ao agro-negócio.

Por  Aylton Melo | Fotografia Njoi Fontes

Que balanço faz da actividade do banco desde que esta se iniciou, em 2015?

O BIR, desde que inaugurou a sua primeira agência, em Malanje, em 2015, tem vindo a desenvolver a actividade dentro de um quadro estratégico delineado e aprovado pelo conselho de administração, e, nestes quase dois anos, as acções têm sido muito voltadas para a consolidação da vertente de banca comercial e para a preparação de condições objectivas para a implementação da banca de investimento, estas num horizonte de médio e longo prazo. O trabalho até aqui realizado tem sido regular, com nuances próprias de uma instituição bancária em fase de arranque, onde o impacto dos custos dos investimentos iniciais é visível no balanço. Tivemos, logo à partida, a necessidade estar em conformidade com o actual ‘pacote’ legal e regulamentar, de longe, muito mais exigente do que o anterior, e que nos tem levado a desenvolver esforços adicionais a vários níveis.

O facto de o banco ter na sua denominação ‘investimento rural’ não o torna numa instituição de cariz regional?

Até 31 de Dezembro de 2016, o BIR era um banco regional e, nesta condição, por imperativos legais, tinha uma limitação taxativa de não poder exercer actividade em Luanda, a capital e a principal praça financeira do País. A outra possibilidade foi aumentar o capital social e imprimir ao banco uma matriz nacional. Conscientes disso, no primeiro ano percebemos que seria difícil fazermos vincar esta operação, pelo que apelámos aos accionistas e decidimos transformar o banco numa instituição de abrangência nacional.

Qual o impacto da crise económica e financeira no desempenho do banco?

A actual crise tem gerado efeitos adversos para a grande maioria de empresas e instituições. Estamos numa fase de arranque e, naturalmente, temos vindo a ressentir-nos das consequências do quadro instalado. Estávamos conscientes de que, na implementação do banco, teríamos de enfrentar algumas contrariedades, mas não dessa magnitude. Por força do complexo quadro macroeconómico, o banco tem-se debatido com um conjunto de situações endógenas que penalizam o seu processo de crescimento, afectando, obviamente, a sua performance. Todavia, a nossa equipa tem sabido lidar com esta realidade e, com profissionalismo e dedicação, temos promovido o negócio, procurando sempre estar alinhados com os rácios e limites prudenciais regulamentarmente fixados.

E no que toca à crise cambial?

A escassez de divisas no nosso sistema bancário é gritante e, por força dos condicionalismos que os bancos comerciais vivenciam no tocante ao acesso directo à moeda forte no exterior, a solução tem sido por via do banco central. Esta também tem sido a nossa saída. É oportuno dar nota, aqui, de que os montantes que nos têm sido alocados são excessivamente baixos. Temos notícias de novas medidas que visam melhorar o quadro.

A evolução dos depósitos está em linha com o business plan?

Tivemos constrangimentos no capítulo da captação de clientes e depósitos, muito por conta do modelo de gestão adoptado por inúmeras empresas com filiais no interior do território nacional que têm as suas direcções centrais sediadas na capital. Para fazer face a estas dificuldades, que claramente comprometiam a execução do plano, introduzimos alguns ajustamentos de ordem estratégica. Temos feito um trabalho muito direccionado para as empresas vocacionadas para o sector em que nos propusemos actuar, o que tem vindo a resultar no aumento progressivo da nossa carteira de depósitos.

Comparativamente às últimas demonstrações financeiras, qual foi a evolução do volume de depósitos?

Se fizermos uma comparação do exercício anterior até às últimas demonstrações financeiras do terceiro trimestre do ano, acabamos de registar um aumento de cerca de 25% da nossa carteira de clientes, em depósitos.

Estando ainda em fase de realização de investimentos de início de actividade, quando se prevê atingir o break-evene começar a ter resultados líquidos positivos?
Importa assinalar que os indicadores das demonstrações financeiras e balancete referentes a 30 de Setembro de 2017 apresentam dados animadores. Pode verificar-se que, apesar de o banco ter registado resultados acumulados transitados negativos, produziu, já no penúltimo trimestre deste ano, um resultado líquido positivo, que esperamos ser uma tendência contínua.

Se assim for, podemos dizer que entrámos numa fase de abatimento dos custos de investimento e, então, falar seguramente da possibilidade de um break-even. Daquilo que estava programado, concretizámos 70%. A margem que fica por concretizar é um pouco resultante do cenário que se vive, o que condiciona as operações ao nível da banca doméstica e internacional. Em suma, posso considerar que a nossa evolução tem sido satisfatória.

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