Mercado

Sanear o mal parado da banca

28/10/2016 - 15:30, featured, Opinião

Desde a crise causada pelo subprime em Setembro de 2008, tendo o Lehman Brothers, como um dos Big que faliu, vários bancos e instituições financeiras foram posteriormente nacionalizados para evitar o colapso do sistema financeiro norte-americano.

Por Aylton Melo

O mesmo receio levou a semelhantes intervenções em outros países. A Islândia é sempre citada como um desses exemplos, entre os países que rapidamente recuperaram da crise financeira de 2008, ao fazer reset em toda a banca. A liquidação foi total, novos bancos foram criados e impostos novos procedimentos.

Domesticamente é incontestável a existência de crédito mal parado na generalidade dos bancos em Angola. Um assunto que deixa os bancos comerciais pouco confortáveis. A final são estes que mais créditos concedem às famílias e às empresas. A verdade é que não se conhece com rigor o acumulado do activo tóxico, entenda-se, mal parado, que paira sobre o sector bancário nacional. Entretanto, a actual situação financeira deixou a nossa economia com graves problemas, sendo pouco líquida. A degradação macro económica deixou muitos empresários incapazes de honrar com os seus compromissos. Por outro lado, o Estado sozinho não tem capacidade para financiar a economia com a mesma pujança, desde 2014, pois atende agora a determinadas prioridades.

Então como o sector bancário poderia ajudar as famílias e as empresas; apoiar a diversificação; acelerar a retoma do ritmo de crescimento económico, tendo que lidar, entre outras situações, com o dilema dos seus activos tóxicos? A generalidade dos bancos públicos no País tem os seus balanços carregados de quantidades elevadas de crédito mal parado. Não serão, por isso, capazes de apoiar o Estado na recuperação da economia. Apesar de os diferentes governos do mundo procurarem diferentes medidas para aumentar a liquidez das instituições financeiras que estão nesta situação, a solução talvez passasse por uma medida idêntica a que se encontrou, por exemplo para o BANIF. Banco que tem os seus activos tóxicos, sob gestão de instituições como a Arrow Global.

Esta empresa tornou-se líder da gestão de crédito malparado em Portugal, ao adquirir a Whitestar e a Gesphone, duas empresas do mesmo ramo. Portanto não seria estranho se o Estado ajudasse, bancos como o BDA, a limpar os balanços e que houvesse uma entidade gestora do mal parado angolano, separando o mau do bom para que estes voltem a financiar a economia e promovam um clima de estabilidade no sistema financeiro angolano.

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