Mercado

Sector não petrolífero deverá crescer 4,4 em 2018

13/11/2017 - 10:51, featured

Projecções do Plano Intercalar do Governo permitem antever as linhas gerais do OGE 2018, que deverá ser apresentado até 15 de Dezembro. Crescimento do PIB deverá situar-se nos 3,4%. Inflação estimada é de 17,4%.

Por Estêvão Martins | Fotografia DR

A proposta do Orçamento Geral de Estado (OGE) de 2018 deverá ser submetida ao Parlamento até 15 de Dezembro, e o Mercado apresenta os principais pressupostos macroeconómicos do Plano Intercalar, com medidas anti-crise, que permitem perceber o que espera o Governo em relação ao próximo ano.

O Plano Intercalar, recorde-se, refere-se ao período compreendido entre Outubro de 2017 e Março de 2018, e contém ‘Medidas de Políticas e Acções para Melhorar a Situação Económica e Social Actual’. Os pressupostos para as projecções do PIB 2018, de acordo com o Plano, baseiam-se nas variáveis dos sectores real, monetário e cambial.

O valor nominal do PIB projectado para 2018 é equivalente a 21.168,8 mil milhões Kz, dos quais Kz 4.010,7 mil milhões (18,9%) correspondem ao sector petrolífero e gás natural. Entretanto, a projecção da taxa de crescimento do PIB real deverá situar-se em 3,4%, um crescimento de 0,8 pontos percentuais (p.p.), face a 2017. O sector petrolífero, incluindo gás, deverá crescer 1,3% e o não petrolífero 4,4%, um um crescimento de 2,1 p.p face a 2017.

Para o sector petrolífero, por exemplo, está prevista uma produção, em 2018, de 1.649.910 barris/dia, abaixo da produção estimada para o ano em curso (1,759 milhões de barris/dia). Tendo em conta a incerteza actual do mercado petrolífero e a volatilidade do preço para este exercício, foi adoptada uma previsão de 45 USD o barril. O valor deve-se à incerteza na ocorrência dos factores que normalmente condicionam o comportamento do preço do Brent no mercado internacional, diz o Plano. Para o segmento do gás, a previsão é que se venha a produzir 132,5 MBOEPD (mil barris de óleo equivalente a petróleo por dia), cujo preço no mercado internacional foi projectado em 29 USD. Quanto à taxa de inflação de 2018, foi projectada em 17,4%.

Agricultura a crescer

As instituições internacionais são mais modestas nas previsões. O FMI prevê uma taxa de crescimento real do PIB em 2018 de 1,5%. Por seu lado, o Banco Mundial perspectiva 0,9%. Já o Focus Economics Consensus Forecast (que representa a média das projecções de 11 instituições) prevê para 2017 e 2018 taxas de crescimento na economia nacional de 1,6% e 2,8%, respectivamente.

A Economist Intelligence Unit perspectiva taxas de crescimento de 2,5% e 3,5%, em 2017 e 2018, respectivamente. Optimista, o Plano Intercalar indica que a taxa de crescimento do sector não petrolífero deverá ser suportada pelo desempenho do sectore da agricultura, que deve crescer em 2018 a uma taxa de 5,9%. Para tal, está prevista uma aposta forte nas principais fileiras, incluindo cereais, leguminosas e oleaginosas, raízes e tubérculos, carne, café, palmar e mel, que, em grande parte, estão directamente ligadas à dieta alimentar das populações do País.O Governo prevê potenciar a agricultura familiar, através do desenvolvimento de projectos como MOSAP II, financiado pelo Banco Mundial, que será implementado em todos os municípios das províncias do Huambo, Bié e da Huíla. Outro projecto, como o SOMAP, financiado pelo FIDA – Fundo Internacional para Desenvolvimento Agrícola – será implementado nas províncias do Cuanza Sul, Huíla e Benguela. Para além destes programas, está ainda a prevista a implementação do projecto de resiliência e recuperação dos agricultores das províncias do Cunene e da Huíla, vítimas da estiagem.

O documento prevê também um maior dinamismo no ramo da agricultura empresarial, com o surgimento de novas explorações e fazendas de média e larga escala.
Para a dinamização das actividades, no âmbito das campanhas agrícolas, deverão ser asseguradas algumas acções, como a preparação mecanizada de terras, incremento do uso da tracção animal, acesso aos insumos agrícolas (fertilizantes, sementes e agro-químicos), e facilitação do Crédito Agrícola de Campanha e de Investimento.

Indústria transformadora

Quanto à indústria transformadora, deverá crescer 1,8% em 2018. Este crescimento é fundamentado, em parte, pela entrada em funcionamento de 18 novas unidades fabris durante este ano. Pressupõe-se, assim, que vários factores venham a contribuir para um melhor desempenho do sector, como a retoma da disponibilidade de divisas para a importação de matérias-primas, acessórios e sobressalentes, novos equipamentos, no limite das necessidades do sector.

Os serviços mercantis deverão crescer a uma taxa de 4,3%. Esta projecção, segundo o Plano Intercalar, parte do pressuposto de que o quadro fiscal venha a registar melhorias, quando comparado com o ano de 2017, e é explicado por diferentes factores. Um deles tem que ver com a melhoria esperada da actividade económica, no geral e, em particular, o aumento ligeiro do volume de importações, o que poderá dinamizar a actividade mercantil nos sectores do comércio, das telecomunicações e tecnologias de informação, da intermediação financeira, e dos serviços de hotelaria e turismo. Outro factor, citando o documento do Executivo, passa pelo aumento do número de passageiros transportados e no volume de carga manipulada e transportada, decorrente do aumento da produção interna e do volume de importações.

Construção

Este sector poderá crescer 3,1%, mas o seu desempenho é fortemente dependente de ajustamentos nas despesas de capital, particularmente do Programa de Investimentos Públicos. Pressupõe-se que os projectos inseridos nos últimos dois anos nas linhas de crédito conheçam um maior dinamismo na execução física.

O sector da energia prevê um crescimento a uma taxa de 60,6%. A previsão da produção resulta da evolução física dos projectos estruturantes, incluindo a entrada em operação das turbinas a vapor da Central do Ciclo Combinado do Soyo, província do Zaire e do aproveitamento hidroeléctrico de Laúca, com duas turbinas (2×330 MW).

O Plano aponta que a extracção de diamantes, de minerais metálicos e de outros minérios registará uma taxa de crescimento de 4,4%. Tal é explicado, em grande medida, pela produção de diamantes esperada na mina do Luaxe, na Lunda Sul, a exploração de ferro gusa e pelo aumento da exploração de rochas ornamenta Quanto ao sector monetário e cambial, prevê-se o ajustamento controlado da taxa de câmbio, com vista à redução do diferencial cambial entre os mercados formal e informal, e a flexibilização do mercado, sem prejuízo da estabilidade do nível geral de preços da economia.

Em relação à inflação, o Governo propõe-se aprofundar a eficácia dos instrumentos de política monetária, por forma a não só alcançar a meta de inflação de 17,4% em 2018, bem como assegurar uma tendência de decrescimento nos anos seguintes.

Esta meta de inflação já leva em conta o conjunto de ajustamentos que poderão ocorrer a nível dos preços administrados. De forma resumida, a taxa de crescimento do sector não petrolífero deverá ser suportada pelos seguintes sectores da energia, que deverá crescer a uma taxa de 60,6%, agricultura (5,9%), extracção de diamantes, minerais metálicos e de outros minerais (4,4%), serviços mercantis (4,3%), Construção (3,1%), pescas (2,2%), indústria transformadora (1,8%).

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