Mercado

“Seguradoras nacionais devem apostar em microsseguros”

14/03/2018 - 14:33, featured, Seguros

Não vão ocorrer fusões, aquisições ou encerramento de seguradoras, segundo o especialista em seguros Júlio Matias.

Por Estevão Martins

estevao.martins@mediarumo.co.ao

O director adjunto da Academia de Seguros e Fundo de Pensões defende que as seguradoras devem reinventar-se, apostando em produtos como micros seguros e outras técnicas de mercado (englobando pessoas de baixa renda), para mitigar o risco de falência, face ao frágil momento da economia. Júlio Matias destaca que a questão da solvabilidade e dificuldade das companhias não deve ser encarada de forma generalizada, mas, sim, particular, uma vez que cada uma apresenta um quadro diferente e outras ainda estão em fase de crescimento e adaptação. Para o especialista, hoje o mercado é mais exigente, e existem riscos que devem ser afastados face ao fraco poder de compra de seguros da população, como o risco de gestão, o risco de investimentos e os riscos técnicos.

A solvabilidade, neste contexto, segundo Júlio Matias, é encarada como uma medida de precaução urgente para que as companhias possam medir a relação entre os capitais e os prémios de seguros. Caso não seja observado este critério, nota, coloca-se em risco a boa gestão  da  companhia, chegando mesmo à falência.

O especialista enfatiza que existem reclamações dos segurados no que toca à regularização dos sinistros e morosidade no tratamento dos processos, o que diminui a confiança dos clientes e subsequentemente a diminuição de atracção de novos compradores. Assim sendo, o também docente universitário sublinha que as seguradoras devem adequar a sua relação com o mercado, ajustando as exigências e necessidades dos segurados e potenciais clientes. “Se as seguradoras não forem capazes de cumprir com as suas responsabilidades (regularização de sinistros), estão condenadas ao encerramento, mas não é o caminho que se pretende num mercado ainda virgem”, reforça a fonte. Relativamente ao provável cenário de fusão, aquisições e encerramento de seguradoras, como vaticinam alguns especialistas, Júlio Matias frisa que existem pressupostos e análises importantes a ter em conta antes de qualquer comentário relativo à incerteza do mercado. “Não acredita que o mercado venha a assistir a fenómenos de fusões, aquisições ou mesmo de encerramento de seguradoras de modo geral, pois aqui estaríamos a fazer uma curva muito apertada diante das várias alternativas que o mercado apresenta”, sustenta o entrevistado.

Afirma que cada caso é um caso e não devemos misturar as situações todas num único saco.  Reforça dizendo que qualquer mercado, dependendo do momento que enfrenta, pode fazer funcionar qualquer um dos processos acima mencionados

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