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Sonangol divulga contas de 2016 na próxima semana

30/06/2017 - 09:49, featured, Finanças

Isabel dos Santos deverá apresentar as contas na próxima segunda-feira. Em Dezembro de 2016, anunciou que o accionista não receberia dividendos e que lucros estavam em queda desde 2013.

Por Ricardo David Lopes

ricardo.lopes@mediarumo.co.ao

A Sonangol deverá apresentar, na próxima segunda-feira (3 de Julho), os resultados de 2016, apurou o Mercado junto de fonte da petrolífera.

A apresentação será feita em conferência de imprensa, onde estará o conselho de administração da empresa pública, liderada por Isabel dos Santos desde o início de Junho de 2016.

No início de Dezembro do ano passado, recorde-se, em conferência de imprensa, a PCA anunciou que a empresa não deveria entregar dividendos ao Estado, relativos ao exercício de 2016, tendo estimado uma receita bruta de 15.325 milhões USD, uma quebra superior a 60% face a 2013.

“Prevê-se que não haverá dividendos para o accionista Estado” relativos a 2016, disse Isabel dos Santos, que não indicou previsões para o resultado líquido desse ano.

Na altura, a gestora destacou a previsão de queda de mais de 17% dos custos operacionais da petrolífera em 2016 (11.957 milhões USD) face a 2015 (14.443 milhões USD).

Lucros sempre a cair

Isabel dos Santos lembrou que o lucro da Sonangol tem vindo a cair desde 2013, fruto, sobretudo, da queda do preço do petróleo. Nesse ano, a empresa teve resultado líquido de 3089 milhões USD, passando para 1415 milhões USD em 2014 e para 389 milhões USD em 2015.

Na altura, a PCA deu conta de que a situação da empresa era “bastante mais grave do que o cenário inicialmente delineado”, o que levou a administração a tomar “decisões de gestão com carácter de urgência”.

“Fica claro que os actuais desafios resultam não só da queda do preço do petróleo, mas também, fundamentalmente, de uma política e de práticas de gestão questionáveis que colocaram a Sonangol numa situação financeira e operacional precária”, fez saber.

Também em Dezembro, em entrevista ao Financial Times, Isabel dos Santos revelou uma redução da dívida da empresa em cerca de 4 mil milhões USD, para 9,9 mil milhões USD. De acordo com o jornal londrino, após esta redução da dívida, conseguida nos primeiros seis meses de gestão da PCA, a meta para este ano foi fixada numa quebra da dívida de mais 2 mil milhões USD, colocando a dívida da petrolífera próxima dos 8 mil milhões USD.

Segundo o jornal, entre Junho e Dezembro do ano passado, a administração efectuou cortes de custos na ordem dos 240 milhões USD, tendo-se verificado um abrandamento dos investimentos na ordem de 1,6 mil milhões USD, de 4,6 mil milhões USD, em 2015, para 3 mil milhões USD, em 2016.

“É importante reduzir a dívida para fortalecer a capacidade de investimento” da Sonangol no futuro, disse a gestora, defendendo ser “essencial” investir em novos campos petrolíferos.

“Penso que, por volta de 2021, 2022, a companhia vai, definitivamente, ocupar um lugar diferente daquele que tem hoje”, afirmou, reiterando a intenção de devolver o foco da empresa ao seu core business.

Fazer mais com menos

Os restantes negócios da Sonangol – dispersos por cerca de 90 empresas – serão direccionados para um fundo, revelou a PCA, sublinhando a necessidade de haver uma cultura “orientada para os resultados, onde temos de ser eficientes”.

“Cada dólar de compromisso, cada dólar gasto tem de render receitas e lucros”, afirmou Isabel dos Santos, revelando que, na altura, a empresa estava a procurar novos financiamentos no mercado internacional, para obter 1,6 mil milhões USD de que necessitava para respeitar prazos de pagamento.

O foco no controlo de custos e na transparência na gestão foi revelado logo no início do mandato por Isabel dos Santos.

Na altura, recorde-se, a PCA divulgou, em comunicado, a meta de implementar “um novo modelo para o sector petrolífero”, o que passaria por um “programa de transformação” interna da empresa.

“Temos, como empresa, de nos comprometer com uma cultura de fazer mais com menos”, disse, garantindo que apenas com uma “cultura de excelência” será possível “enfrentar com sucesso os grandes desafios que o novo contexto do sector petrolífero coloca à Sonangol e ao País.

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