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“Vamos alargar a área de intervenção do Fundo do Projecto Coca-Cola”

15/05/2017 - 08:55, featured, Gestão

A nova gestão do Fundo do Projecto Coca-Cola vai revelar, em breve, as prioridades deste instrumento de apoio socioeconómico, diz o PCA. Nos últimos seis anos, o Fundo já financiou projectos com mais de 9,5 mil milhões Kz.

Por Ricardo David Lopes  | Fotografia DR 

Quando foi lançado este Fundo?

O Fundo do Projecto Coca-Cola (FPCC) foi criado há 17 anos e rege-se pelo Decreto-Executivo conjunto 03/2000 e pelo Decreto n.º 5/96. É tutelado pelos ministérios das Finanças, da Geologia e Minas e da Indústria. Acompanhando o crescimento, em 2018 atinge a idade maior. Já muito foi feito, mas desejo que ainda contribua muito mais e deixe uma marca no desenvolvimento económico do País.

Quantos projectos já financiou, no total?

Este conselho de administração foi empossado há muito pouco tempo e ainda estamos a tomar conhecimento fidedigno destes 17 anos de existência do FPCC. No entanto, importa realçar que, nos últimos cinco a seis anos, foram financiados mais de 100 projectos, através de diversas linhas de crédito criadas pelo próprio Fundo, subdivididas em projectos económicos, projectos sociais e fundo perdido. Pelos princípios que regem o Fundo e pela nossa determinação, vamos continuar a financiar projectos que imprimam dinâmica vital à economia dos locais abrangidos e que sejam projectos estruturantes também para as comunidades a nível de emprego e desenvolvimento socioprofissional, sem descurar e defender o retorno dos financiamentos.

Que tipo de financiamento é concedido?

Como disse, compete, em especial, ao FPCC conceder financiamento a projectos que apoiem o desenvolvimento de infra-estruturas económicas e sociais, indo mais além ao prestar assistência técnica aos estudos e preparação de projectos. Os financiamentos são ‘alavancas’, para que o Fundo receba retorno e mantenha esta dinâmica de reinvestir, criar valor, mais-valias económicas e sociais e reinvestir. É um sistema de vasos comunicantes entre um financiamento e todo o retorno que advém das comunidades e, claro, dos projectos bem-sucedidos.

No total, qual o valor já financiado pelo Fundo?

Em geral, nos últimos seis anos, mais de 9,5 mil milhões Kz foram financiados pelo Fundo. Trata-se de um valor que nos dá uma ideia muito clara da importância do FPCC, das políticas traçadas e da visão que existiu sempre em, passo a passo, lançarmos pilares sólidos para o desenvolvimento do tecido industrial que sustentasse e promovesse o desenvolvimento socioeconómico e socioprofissional das comunidades.

E quais os critérios de atribuição de financiamento?

Os critérios têm sido claríssimos e resultam sempre da localização e âmbito dos projectos, embora seja nossa intenção torná-los mais abrangentes. A principal missão do FPCC é apoiar o desenvolvimento estruturado e sustentado da região em que se circunscreve – por razões que se prendem com os locais que acolhem estruturas da Coca-Cola. O Fundo age contribuindo para o ordenamento do território, a criação de infra-estruturas económicas e sociais e emprego, que só se consegue fomentando a constituição de indústrias, através de incentivo para a sua implementação nas regiões definidas.

Em termos geográficos, onde têm feito financiamentos?

A geografia dos financiamentos está, claramente, definida na missão do Fundo: financiar projectos empresariais localizados na região de Bom-Jesus, Quiçama, Ícolo e Bengo e Pólo Industrial de Viana, em Luanda.

Está previsto alargar a área de intervenção?

Claro! Tendo em conta o próprio desenvolvimento da expansão da Coca-Cola em outras províncias do País, é de fulcral importância alargamos a área de intervenção e abrangência do Fundo.

Quais as prioridades para este ano?

Teremos novidades e, no momento oportuno, daremos a conhecer. Está praticamente concluído o diagnóstico ao Fundo, o que nos permite hoje vislumbrar os pontos fortes e a melhor estratégia do ponto de vista de actuação e posicionamento e que nos leva a definir com segurança o nosso ponto de partida, para que o Fundo se concretize na sua missão: desenvolvimento económico e progresso das populações abrangidas, de acordo e em acordo com o Executivo e ministérios que nos tutelam.

Como é que este Fundo se financia?

No decreto-lei que criou o Fundo, e cujas orientações se mantêm, as fontes de receitas primordiais do FPCC são os impostos cobrados pelo Estado à Coca-Cola Bottling Luanda (CCBL), sobre os resultados da sua actividade no território nacional, e as receitas próprias apuradas de investimentos no mercado financeiro. Basta relembrar o nome do Fundo: Projecto Coca-Cola Angola.

A crise afectou o financiamento do Fundo?

A crise marcou toda a actividade económica mundial e, com a palavra marcar, não estou a referir–me à crise de forma negativa. Toda a economia se ressentiu, seja por retracção, por medo ou por insegurança. E a crise, como referi, foi mundial. Numa economia dependente do petróleo, nós, os produtores mundiais, sentimos esta crise de uma forma violenta.

Tal como outros países em situação idêntica, o Executivo acelerou as medidas de diversificação da economia e, confesso, o tecido empresarial angolano surpreendeu-me agradavelmente pela capacidade de adaptação e pelo entusiasmo em inovar e em conseguir dar a volta. A Coca-Colaé uma empresa multinacional, mas não é imune ao mercado mundial, e também aqui, em Angola, nos ressentimos, mas combatemos, emagrecemos pouco e estamos a recuperar, até de forma calma e serena.

Como é que o Fundo se relaciona com os bancos?

De forma a ser transversal ao relacionamento e aos públicos empresariais fidelizados a cada um, o Fundo tem estabelecido protocolos com os bancos angolanos, com vista à operacionalização das linhas de crédito abertas. Por outro lado, estamos a pesquisar outros bancos comerciais que possam trabalhar com o Fundo, perspectivando uma sinergia importante entre quem tão bem conhece a mecânica para a concessão de crédito e nós, que dispomos desse dinheiro e cujo objectivo primordial é o de se constituir uma ‘alavanca’ para o tecido industrial e social das comunidades onde serão implementados.

Em que projectos tomaram posições?

O FPCC financiou diversas iniciativas de indústrias, de que se destaca a implementação de uma unidade fabril para a produção de sumos naturais, a partir de concentrados de fruta e de uma unidade de enchimento. Fizemos ainda o co-financiamento para a implementação de uma fábrica de produção e transformação de leite e seus derivados com a mais moderna tecnologia, e contribuímos para a implementação de uma unidade de produção, rotulagem e comercialização de produtos hortícolas, legumes cozidos, refeições condicionadas, lanches escolares e outros produtos de origem agrícola. Participámos no POLIS CATETE – construção de um pólo industrial com cerca de 42 armazéns, zonas habitacionais e de serviços, na implementação de uma unidade de produção, transformação e comercialização de produtos agrícolas e hortícolas para vendas a granel e produtos embalados, na implementação deuma fábrica de produção de descartáveis em alumínio e plástico, utilizando a técnica da termoformagem, e de um projecto agrícola de processamento e comercialização de produtos do campo. Pretende-se, com este projecto, apoiar os agricultores locais no escoamento das suas produções. Estivemos ainda na implementação de uma unidade fabril para a produção de pão, bolos e seus derivados. Vou parar por aqui, porque são ainda tantos!

A Coca-Cola tem fundos deste tipo noutros países africanos?

Este Fundo não foi criado e nem pertence à Coca-Cola… Foi criado exclusivamente pelo Governo angolano por decreto executivo, como referi anteriormente. Mas sei que a Coca-Cola Company tem, sim, um Fundo para África, denominado Coca-Cola Africa Foundation, virado mais para projectos sociais nas vertentes de educação, saúde e abastecimento de água potável às comunidades circunscritas ao projecto Coca-Cola, e tem os seus escritórios centrais na Suazilândia.

Este exemplo deveria ser seguido por empresas angolanas?

Entendo a sua pergunta, pois os bons exemplos devem ser seguidos, mas não faz muito sentido, dada a dimensão e a inovação deste projecto. Poderemos questionar se todos os governos têm esta consciência que o nosso teve em reinvestir parte do imposto naturalmente tributado para servir as comunidades abrangidas. E isso, sim, é um exemplo que aplaudo.

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