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Brett King em Luanda: “A banca em 2020 será omnipresente”

30/01/2017 - 15:50, featured, Finanças

O guru em banca digital fala sobre o desafio da disrupção no sistema financeiro e na importância da antecipação comportamental.

Chamam-lhe o guru da banca digital. Autor do blogue Banking4Tomorrow, analisa a revolução da banca digital no actual sistema financeiro e os ajustes comportamentais daí decorrentes. Brett King fala com paixão. Mas sobretudo com entendimento de causa. “2017 será o ano em que os comités executivos dos bancos e os analistas de mercado vão começar a procurar investimentos sérios na área da aquisição digital”, advoga, alertando que é o ano ideal para as startups de tecnologia que têm neste momento os reguladores do sistema financeiro do seu lado. Isto porque estamos perante um ano de viragem, sem volte-face, que terá o seu apogeu em 2020: “A banca em 2020 será omnipresente. As operações bancárias serão verdadeiras experiências digitais”, passada a fase da disrupção com os métodos tradicionais. O que vai ficar do antigamente? Pouco. Ou nada. Brett explica.

Balcões vão desaparecer

“Os balcões, ditas agências bancárias, tornaram-se lentos para nós. Exigem-nos tempo. Os gestores e consultores, igualmente lentos. Não chegam no momento certo. Temos de ir até eles.

Estamos a entrar, por isso, num mundo completamente novo, onde o aconselhamento é feito via redes sociais.

Estamos errados ao pensar que o face to face é a melhor interacção dos nossos tempos. Errado. O melhor conselho tem de ser dado todos os dias, sempre que tivermos de tomar decisões financeiras. E a resposta rápida e eficaz está na… tecnologia.” Este fim previsto por Brett leva-nos a uma nova geração de clientes que no futuro serão mobile clients primeiro. Para eles, a novidade será a ida a um balcão. E a preparação para esta nova fase que já está a acontecer, segundo o expert, é o que está em causa neste momento. “Os bebés já têm estes skills. Trabalham melhor com iPads do que com revistas. Teremos é de ensiná-los, por exemplo, a passar um cheque, se ainda for necessário. Não estarão motivados para ir a um balcão. Será uma perda de tempo face a tudo o que já aprenderam. Seria o falhanço do sistema ficar parados no tempo.” Mas nem todos os balcões vão desaparecer. Porquê? Porque há sempre quem prefira o método mais convencional, e a banca tem de servir esse target também. E estatisticamente, segundo Brett, as consultas ao balcão vão diminuir até uma a duas vezes por ano.

A tecnologia disruptiva

Brett King recorda que há tempos todos tínhamos uma caderneta do banco e, mais tarde, um livro de cheques, e depois surgiram os multicaixas. Agora a tecnologia permite-nos ir mais longe. Criou Moven (aplicação móvel bancária que dá informação em tempo real para compras com cartão de débito), uma forma de interacção que mudou o nosso contacto com o dinheiro.

Por exemplo: “Consigo saber no momento em que estou a fazer um pagamento, o meu saldo de conta, quanto gastei nesse mês em táxis, em restaurantes e, principalmente, ter uma noção clara dos meus gastos que não obtenho de forma rápida num balcão.

É que há despesas que fazemos de forma quase inconsciente, e é aqui que reside o poder, o controlo, a poupança.” O guru exemplifica com a Apple e a Uber esta tendência/necessidade de disrupção. No primeiro caso, para demonstrar que os consumidores Apple descarregam as aplicações ao invés de ir às lojas da marca, super fashion e cheias de génios, porque é obviamente é mais eficaz, mais cómodo, mais simples… Já o caso da Uber, apesar de todos os protestos que existem, ensinou-nos que usar um táxi é mais do que levar-nos do ponto A para o B. Podemos chamá-lo através de uma aplicação. Podemos acompanhar o seu percurso coma aplicação. Podemos pagar sem necessidade de trocos ou levantar dinheiro. Este é o futuro, na visão de Brett. Se há riscos? Diz que sim. Mas para ele “não é um risco fazer as coisas de forma diferente. É um risco não as fazer”.

Brett King está em Luanda a convite da  Exictos e da AMS.

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