Mercado

“Falar de crise é admitir que vamos continuar a viver do petróleo”

10/04/2017 - 09:24, featured, Finanças

O ministro das Finanças, Archer Mangueira, defende “um novo normal” assente na estabilidade macroeconómica, no crescimento sustentável e na diversificação da produção nacional.

O ministro das Finanças, Archer Mangueira, defendeu na passada sexta-feira, no Huambo a necessidade de adopção de um novo modelo económico para Angola.  O dirigente advogou esta tese durante uma Aula Magna sobre “Política Fiscal no Contexto de um Novo Normal”, ministrada no Instituto Superior Politécnico da Universidade José Eduardo dos Santos.

Archer Mangueira traçou um quadro do actual momento caracterizado por vários desequilíbrios como o risco de inflação decorrente da escassez de recursos em moeda externa, queda da receita petrolífera e os efeitos na balança de pagamentos com recurso ao endividamento.

A política fiscal, defendeu o ministro, tem de ser reorientada. “Temos necessidade de viver sem o petróleo”. Para o ministro, “falar de crise é admitir que vamos continuar a viver do petróleo”. Na lógica da inversão do paradigma, Archer Mangueira reputa de fundamental o investimento público em infraestruturas como a energia.

O ministro das Finanças tem insistido na necessidade de a realidade presente e futura ser encarada como um “novo normal”, que resulta da mudança das bases de sustentação da nossa economia, que deve assentar na estabilidade macroeconómica, no crescimento sustentável e na diversificação da produção nacional. Na mesma senda, o Ministro alavancou os quatro objectivos da política fiscal no quadro do novo normal: controle da inflação; diversificação das exportações; Melhoria das Condições Financeiras do Estado e Estabilidade do sistema financeiro.

A Aula Magna pretendeu também gerar um clima motivacional e de responsabilidade no ambiente académico. O ministro e antigo professor de Macroeconomia da Faculdade de Economia da Universidade Agostinho Neto defendeu a continuidade da aposta urgente e permanente valorização do capital humano, na perspectiva do conhecimento, da inovação e do empreendedorismo.

O novo modelo económico para Angola precisa de ser repensado na óptica da receita e da despesa. Archer Mangueira defendeu a necessidade de adopção de algumas reformas estruturais no médio longo-prazo como a eliminação da taxa de câmbio fixa: “Mantendo-a a tendência continua a ser a de valorização das importações e não posso perder de vista que não temos capacidade doméstica para satisfazer a procura. Por isso, no curto prazo, se desvalorizo a moeda, temos um efeito imediato no aumento do nível de preços, mas também reconheço que o pensamento não pode ser apenas de curto prazo”.

Archer Mangueira confirmou a pressão de organismos internacionais e outros parceiros no sentido da desvalorização da moeda. Estes sugerem a alteração da taxa de juros para compensar este aumento, mas em presença de uma política monetária, já de per si restritiva, esta teria uma consequência mais gravosa para as empresas e os projectos de diversificação da economia.

Archer Mangueira alertou também para a necessidade de adopção de algumas medidas mais drásticas no médio-longo prazo como a redução e eliminação dos subsídios em áreas como energia e águas. Segundo defende, os subsídios provocam ineficiência operacional às empresas públicas e são bastante onerosos para o tesouro nacional. “Não há orçamento que aguente!”, desabafou.

Na agenda da visita, houve uma reunião técnica no Governo Provincial do Huambo, em que, além do Governador, participaram também os Vice-Governadores, Administradores Municipais e directores provinciais. Archer Mangueira efectuou também uma visita à Central Térmica do Dango, cujas obras podem ficar comprometidas devido a ausência de pagamentos aos fornecedores. O ministro visitou também as instalações da Delegação Provincial de Finanças bem como a Repartição Fiscal do Huambo.

O ministro das Finanças, Archer Mangueira, esteve no Huambo, para uma jornada de trabalho a fim de se inteirar da situação orçamental e financeira junto das autoridades da província, passando em revista o Programa Operacional de Emergência e o Programa de Investimentos Públicos com destaque para sectores como saúde e equipamentos sociais.

Na sua deslocação ao Huambo, o Ministro das Finanças faz-se acompanhar do Presidente do Conselho de Administração da AGT, Sílvio Burity, Director-Geral da Unidade de Gestão da Dívida, Osvaldo João, Director Nacional dos Orçamentos Locais, Miguel Pereira, Director Nacional do Tesouro, Edson Vaz, Director do Gabinete de Comunicação Institucional, Adebayo Vunge e alguns consultores.

Gosta deste artigo? Partilhe!

Deixe o seu comentário

You must be logged in to post a comment.