Mercado

Indústria petrolífera recupera com barril a 55 USD

23/12/2016 - 11:06, featured, Finanças

Consultora diz que 2016 marcou o ponto mais baixo do ciclo de investimento e prevê crescimento nos EUA.

Por Paulo Narigão Reis

Com o barril acima dos 55 USD, a indústria do petróleo e gás vai dar a volta por cima. Assim prevê a consultora Woods Mackenzie no seu mais recente relatório, que baseia o tom optimista no recente acordo da OPEP para cortar na produção.

“Com o barril a 55 USD, as maiores empresas de petróleo começarão de novo a ganhar dinheiro. Se regressar-mos aos 50 USD ou menos em 2017, então essas mesmas empresas encontrar-se-ão em território negativo e voltarão a entrar em modo de sobrevivência, que foi onde estiveram nos últimos dois anos”, afirmou Angus Rodger, director de investigação da WoodMac, em declarações à CNBC. Para Rodger, é essencial que os membros – e não-membros – da OPEP que se comprometeram a atingir um corte colectivo na produção de 1,8 milhões de barris diários cumpram o que ficou acordado para a previsão se cumprir.
E nem terá de ser na totalidade: segundo o responsável, um nível de cumprimento de 75% será suficiente para o barril se manter, durante o ano de 2017, a um preço médio de 57 USD. Ainda assim, o relatório da consultora estima que, no final de 2017, o preço do barril deverá atingir os 60 USD.
Investimento

Para os analistas da Wood Mackenzie, o ano de 2016 terá sido o ponto mais baixo no ciclo de investimento, só interrompido pela confiança entretanto recuperada pelo acordo da OPEP. No relatório divulgado na última segunda-feira, a consultora acredita também que as condições de exploração e de fusões e aquisições serão melhores em 2017.

“O ano de 2017 será, em geral, de estabilidade e oportunidade para as empresas de oil & gas com poder financeiro”, escreve Tom Ellacott, vice-presidente de análise empresarial da consultora, acrescentando: “Haverá oportunidade para mais players se adaptarem e fazerem crescer os seus portefólios.” A Wood Mackenzie escreve ainda que serão as empresas independentes dos Estados Unidos a liderar o novo ciclo de investimento, previsão que, embora a consultora não o diga de forma explícita, tem muito que ver com o previsível impulso que a indústria receberá sob a administração de Donald Trump, recheada de cépticos das alterações climáticas e que inclui milionários ligados ao sector petrolífero em posições de topo.
Ainda assim, a consultora antevê um crescimento modesto na produção norte-americana no próximo ano. Apesar do tom optimista, a WoodMac considera que a palavra-chave continuará a ser disciplina: a redução de custos permanecerá a prioridade para muitas empresas, em particular as maiores do sector, como demonstram os recentes passos atrás em vários projectos de grande porte.

O investimento das grandes empresas do sector deverá, antes, ser direccionado para fusões e aquisições, acrescenta Tom Ellacott, para quem os maiores players do sector deverão, ainda, procurar assegurar a renovação dos seus portefólios como parte essencial de uma estratégia equilibrada de crescimento.

Gosta deste artigo? Partilhe!

Deixe o seu comentário

You must be logged in to post a comment.