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Moody’s alerta para impactos da despesa com saúde no rating

06/02/2018 - 10:21, featured, Finanças

A Moody’s elogiou os pagamentos ao FMI, mas diz que Portugal está entre os países em que o envelhecimento da população mais pode afectar o rating.

Portugal está entre os países em que o rating pode vir a estar mais pressionado devido ao envelhecimento da população, segundo a Moody’s. A agência de notação financeira destaca que as tendências da demografia levarão a um aumento da despesa pública com saúde. E revela que esse será um factor a que dará um peso cada vez maior na avaliação dos ratings soberanos. “A saúde irá tornar-se um aspecto cada vez mais importante na nossa avaliação de crédito. Todos os Estados membros da União Europeia serão confrontados com pressões para aumentar a despesa relacionada com a saúde, o que será refletido na nossa avaliação sobre a solidez orçamental”, refere o relatório assinado por Kathrin Muehlbronner, vice-presidente da agência.

E Portugal está no grupo dos mais vulneráveis aos impactos do envelhecimento da população na solidez orçamental. A Moody’s é a única das agências seguidas pelo Banco Central Europeu (BCE) que avalia o rating nacional num nível visto como lixo pelos mercados. Mas os analistas antecipam que possa melhorar a nota neste ano, seguindo os passos da Standard & Poor’s e da Fitch – tem a opção de o fazer a 20 de abril. Em relação aos desafios causados pelo envelhecimento da população, a Moody’s diz que “no longo prazo, espera-se que Portugal, Malta, Croácia e Eslováquia sejam particularmente afectados, com uma subida da despesa com saúde de quatro ou mais pontos percentuais do produto interno bruto até 2060”.

Na base do estudo da agência estão estimativas que foram feitas pela Comissão Europeia em 2016. A agência realça que a despesa com saúde decorrente do envelhecimento da população terá mais impacto do que os gastos com pensões, uma vez que, na maioria dos países, estas continuarão a ter um peso constante em relação ao total da economia.

A Moody’s salienta que os dados de Bruxelas apontam para uma subida da despesa pública com saúde na Europa de 7% em 2015 para 7,8% em 2060. E sublinha que “a despesa será o dobro deste ritmo em Portugal, Croácia, Malta e Eslováquia”. A juntar a isso, avisa que “o impacto, sob o ponto de vista do crédito, pode ser particularmente pronunciado para países que têm uma combinação de desafios demográficos com uma actual elevada despesa e dívida pública”. Numa outra nota, divulgada também ontem e em que analisa a estratégia de gestão da dívida de Portugal, a Moody’s recordava que o “fardo da dívida permanece muito elevado em relação aos pares, em cerca de 127% do produto interno bruto”.

 

Moody’s elogia pagamentos ao FMI

 

Apesar dos alertas sobre os desafios demográficos de longo prazo, numa análise mais centrada nas últimas medidas tomadas por Portugal, a Moody’s destaca aspectos positivos. “As políticas do governo de gestão activa da dívida melhoraram a resistência do perfil de dívida aos desenvolvimentos de mercado”, considerou a nota assinada por Evan Wohlmann.

A analista sénior da Moody’s destacou os pagamentos antecipados ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Em janeiro, Portugal devolveu mais 831 milhões de euros à instituição liderada por Christine Lagarde. Desde que o Estado começou com essas amortizações, em 2015, já foi pago 83% do empréstimo de 26,3 mil milhões concedido pelo FMI no âmbito do programa de resgate. E Portugal livrou-se dos juros mais altos que o Fundo cobra para empréstimos acima da quota de cada país na entidade. Os juros do FMI terão um custo adicional de 1%, antes era de 4%. “Estes esforços reflectem o compromisso das autoridades para trancar os custos da dívida por mais tempo e limita os riscos da normalização gradual das taxas de juro”, refere a Moody’s.

 

 

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