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Pressupostos de afirmação de João Gonçalves Lourenço

17/02/2017 - 16:51, Geral

O imperativo de uma nova forma de ser e estar na política, isto é, ao serviço dos cidadãos, deverá ser também uma referência no discurso do novo candidato.

Por: Gildo Matias José* | Fotografia: Njoi Fontes

I. Desde logo, o pressuposto da afirmação de um novo candidato passa sempre pela avaliação (subjectiva ou objectiva) dos cidadãos eleitores sobre o seu antecessor. O que significa dizer que: se houver uma apreciação muito positiva sobre o antecessor, a afirmação do novo candidato deverá ser de continuidade estratégica, acrescentando muito pouco sobre “status quo” do líder que precede, diminuindo o risco do desconforto do eleitor sobre o “adquirido”. Caso contrário, o novo candidato terá de adoptar uma postura diferenciada (na forma e no conteúdo) com que se apresentará aos cidadãos, sem ter de “crucificar” o líder a quem sucede. O relevante, neste caso, é capitalizar ao máximo o imaginário dos cidadãos sobre a necessidade de mudanças que o novo candidato, a priori, transporta de ascendente.

II. No caso vertente, parece clara a necessidade descolagem com o politicamente vivido pelos cidadãos, sob o ponto de vista comunicativo/discursivo. Não obstante, esse “discurso de descolagem deve conter a “eticidade do reconhecimento” dos méritos do antecessor, do seu espírito sacrificial, sentido de missão e de serviço aos mais legítimos interesses da Nação e dos angolanos. Todavia, o novo candidato deve deixar bem claro que vivemos na inevitabilidade de um tempo novo. Aliás, bem como o próprio referiu na analogia no novo generalato: “precisamos de generais do desenvolvimento”! Esse slogan representa uma nova mundividência do e para o tempo do nosso novo tempo.

III. O trabalho seminal está feito. A Moção de Estratégia do Líder do MPLA, aprovada no VII Congresso do Partido elenca o conjunto de formulações princípios congruentes aos desafios que temos pela frente: desde a manutenção da paz e estabilidade nacional, e melhoria significativa das condições de vida dos angolanos, até ao reforço estratégico do papel do nosso País no internacional e regional.

IV. A Moção de Estratégia do Líder, sendo um património do MPLA, deve servir de mote para o posicionamento ideológico-programático do novo candidato nos temas mais estruturantes e fraturantes para a vida nacional, tais como: saúde, educação, combate à pobreza, combate à corrupção, diversificação económica, emprego, reforma do estado, descentralização administrativa, justiça, valorização dos recursos humanos nacionais, política populacional etc.

V. O novo candidato deverá encontrar um ponto de equilíbrio entre uma postura de autoridade e um político de afectos. Há uma herança de “desumanização” no sentido impessoal, distante e até endeusado, do político. Os tempos clamam por afectos, proximidade, empatia, solidariedade, camaradagem. Mais importante do que resolver os problemas Povo, é resolver os problemas com o Povo: os cidadãos são e continuam a ser, o mais importante das soluções que queremos implementar para o nosso processo de desenvolvimento, que tem como finalidade a melhoria da qualidade de vida de todos os angolanos.

VI. O imperativo de uma nova forma de ser e estar na política, isto é, ao serviço dos cidadãos, deverá ser também uma referência no discurso do novo candidato. E isto significa deixar bem claro que a impunidade criminal, civil e política vai acabar! Do ponto de vista da gestão da coisa pública, temos de premiar os bons e responsabilizar os maus.

*Politólogo

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