Mercado

Crise limita escolha para Banco Central

03/09/2015 - 16:13, América Latina

A crise política do Brasil está a limitar as hipóteses de o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, recorrer ao mercado financeiro para preencher uma vaga no conselho.

Por Alexandre Tombini | Fotografia Bloomberg

Tombini precisa de substituir o director de política económica do BC, Luiz Awazu Pereira, que deixará o cargo em 1 de Outubro, e o Senado tem de aprovar a sua escolha. Mas, de momento, faltam alternativas para o presidente da autoridade monetária. As críticas do Congresso ao único director do BC que vem da comunidade financeira aumentaram a pressão sobre Tombini para restringir a sua busca aos quadros do BC, segundo parlamentares, membros do governo e ex-directores do banco.
“Há políticos que pensam que não é hora de colocar alguém que venha do mercado no BC”, diz o ex-director do BC, Carlos Thadeu de Freitas Gomes. “Mercado e política nem sempre estão de acordo.”
O substituto de Awazu fará parte de um conselho que ainda não conseguiu convencer os investidores de que a inflação irá recuar e cumprir as metas em 2016. A nomeação de uma pessoa apoiada pelos investidores ajudaria Tombini a convencer os mercados de que continuará no bom caminho, apesar da crise política que desvalorizou o real e prejudicou os planos para reduzir o défice fiscal do Brasil. Entre os nove membros votantes do banco, o director de assuntos internacionais, Tony Volpon, é o único que não estava no BC durante o primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff. Durante os primeiros quatro anos de Dilma no poder, o BC iniciou uma série de cortes que levaram a taxa básica, a Selic, a uma baixa recorde de 7,25% em Outubro de 2012 numa altura em que a inflação aumentava, provocando críticas de investidores e analistas.
“O conselho ainda está inclinado a contar com pessoas de dentro”, afirma Paulo Vieira da Cunha, ex-director do BC, actualmente economista-chefe da Ice Canyon. “Existe uma oportunidade de reconstruir a credibilidade do BC trazendo alguém de fora, que não se tenha comprometido com tomadas de decisões duvidosas e questionáveis.”
Três nomes são citados nos círculos do governo como possíveis substitutos de Awazu, todos funcionários que estiveram em cargos públicos durante pelo menos 14 anos. Wagner Guerra, chefe de gabinete de Tony Volpon, director de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do BC, tem sido elogiado por Tombini. Guerra trabalhou anteriormente para o Ministério das Finanças. Outra opção é André Minella, que também trabalhou para as Finanças e é actualmente conselheiro económico de Tombini. O secretário-executivo do banco, Márcio Barreira de Ayrosa, é o mais adequado para o cargo por causa da sua experiência económica, aliada ao seu conhecimento a respeito dos mecanismos internos da organização. O BC preferiu não falar a respeito do processo, dizendo que não comenta especulações políticas e do mercado.
No mês passado, líderes do Congresso exigiram que Tony Volpon deixasse o BC depois de comentários públicos a antecipar a sua intenção de votar pelo aumento da taxa de juro na reunião de Julho. Volpon, que assumiu o cargo em Abril, antes trabalhava como director-gerente da Nomura Holdings em Nova Iorque e actualmente é considerado a principal ligação do BC com os investidores.

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