Mercado

Produção da Venezuela em declínio

04/07/2016 - 15:02, América Latina

As empresas de perfuração estão a reduzir o trabalho por causa das dívidas do governo, que já atingem os 1000 milhões USD.

A produção de petróleo na Venezuela, que já atingiu o nível mínimo desde 2009, deverá cair ainda mais. As empresas de perfuração estão a reduzir o trabalho por causa das dívidas do governo de Caracas, que já atingem os 1000 milhões USD.

O Barclays estima que a produção de petróleo, que gera 95% das receitas de exportação da Venezuela, vai cair em cerca de 11%, para 2,1 milhões de barris diários, até ao final do ano.

Desde a queda dos preços do petróleo nos mercados internacionais que a economia venezuelana entrou em crise profunda, com consequências sociais graves.
O desespero da população levou ao aumento do crime, e as pilhagens de supermercados e lojas entraram no dia-a-dia da população. O presidente Nicolas Maduro prometeu cumprir os compromissos internacionais, nomeadamente o pagamento do serviço de dívida, para evitar o default, mas o mesmo não está a acontecer em relação aos parceiros da Petróleos de Venezuela SA (PDVSA).

“A situação está a ficar cada vez mais difícil para as empresas que prestam serviços à indústria petrolífera da Venezuela”, afirma Baptiste Lebacq, analista do Natixis, banco de investimento francês, em declarações à Bloomberg, que acrescenta: “Enquanto os preços do petróleo se mantiverem nos níveis actuais, a PDVSA terá muitas dificuldades em pagar aos seus fornecedores.”

Só à Schlumberger, a maior empresa mundial de serviços petrolíferos em capitalização, a PDVSA devia, a 31 de Março, 1,2 mil milhões USD. No mês passado, foi a vez de a norte-americana Halliburton informar que a dívida da estatal venezuelana cresceu 7,4% no primeiro trimestre de 2016, para os 756 milhões USD.
Segundo a Baker Hughes, empresa norte-americana de serviços à indústria petrolífera, o número de poços de plataformas petrolíferas em produção na nação da América do Sul caiu para 59 em Maio, o número mais baixo no espaço de um ano.

O presidente da Schlumberger , Patrick Schorn, disse recentemente aos investidores, durante a conferência de energia do Wells Fargo, que decidiu reduzir os trabalhos na Venezuela em linha com a queda nos pagamentos da PDVSA.

No entanto, abriu a porta ao ao aumento da operação caso sejam implementado “novos modelos de pagamento”.

Do lado do governo de Caracas, o ministro do Petróleo, Eulogio Del Pino, não quis comentar os atrasos nos pagamentos da PDVSA aos fornecedores, limitando-se a dizer que as empresas permanecerão no país. “Estas empresas operam na Venezuela há mais de 100 anos. Tenho a certeza de que não irão embora”, afirmou o governante.

Saiba mais no jornal Mercado desta semana, já nas bancas.

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