Mercado

Ano amargo para a Apple: primeira quebra desde 2001

03/11/2016 - 11:19, Global Report

Menos receitas e lucros, menos vendas em tudo. Já não é só a China que tem a culpa, a Apple está numa crise de resultados.

Por Ana Rita Guerra*

O azedume dos números alastrou-se a quase tudo o que a Apple fez nos três meses findos a 27 de Setembro, o quarto trimestre fiscal da empresa.

As vendas de iPhones voltaram a derrapar, as receitas foram significativamente mais baixas, e os lucros sofreram. Foi o terceiro trimestre consecutivo de quebras, num ano amargo para a fabricante de Cupertino – o primeiro nos últimos quinze anos em que os resultados anuais caíram. E não foi pouco: as receitas passaram de 233,7 para 215,6 mil milhões USD. O CEO Tim Cook, como sempre, não partilha da visão negativa, até porque o mercado chegou a esperar pior.

“Os nossos fortes resultados do trimestre de Setembro finalizam um ano fiscal muito bem-sucedido para a Apple”, afirmou o executivo no lançamento dos resultados. As vendas de iPhone caíram 5% em unidades, para 45,5 milhões, e 13% em receitas, algo que poderá estar relacionado com o preço mais baixo do iPhone SE. O iPad, sem surpresa, manteve a tendência descendente, -6% em unidades, para 9,2 milhões – mas na mesma em termos de receitas, pelo preço mais alto das versões Pro. Já os Mac deram o tombo mais significativo: foram vendidos apenas 4,8 milhões de unidades, uma derrapagem de 14%, num período em que o mercado de computadores como um todo até recuperou. O motivo é evidente. A falta de refrescamento de várias linhas afectou a performanceno mercado, e é por isso que a Apple se prepara para lançar uma série de novos Mac muito brevemente, num evento em Cupertino.

Imperturbável, Tim Cook optou por uma reacção positiva aos números. “Estamos muito satisfeitos com a resposta dos clientes ao iPhone 7, iPhone 7 Plus e Apple Watch Series 2, bem como o incrível momento do nosso negócio de serviços.” Aqui, sim, há razões para sorrir: as receitas provenientes de serviços, o que inclui a App Store, iTunes, Apple Care e Apple Pay, cresceram 24% e atingiram um recorde. Foi o que a empresa decidiu salientar nestes resultados trimestrais e anuais, que no mínimo podem ser considerados deprimentes. Até porque a categoria de outros produtos, que muitos esperavam poder gerar novas avenidas de receitas, também despencou neste trimestre. Apple Watch, Apple TV, Beats, foi tudo a eito: quebra de 22%.

Tudo isto somado, o trimestre trouxe 46,9 mil milhões USD de receitas, bem menos que os 51,5 mil milhões USD do mesmo período de 2015. Os lucros caíram de 11,1 para 9 mil milhões USD.

O pior desempenho aconteceu na China, em tempos considerado o segundo mercado mais importante da marca. No país asiático, as receitas tombaram 30% face ao ano passado. As coisas também correram menos bem nos Estados Unidos, com registo de quebra na ordem dos 7%. Europa e Japão foram as excepções, com um crescimento de 3% e 10%, respectivamente, sendo que as vendas internacionais representaram 62% do volume de negócios do trimestre. Luca Maestri, o director financeiro da Apple, sublinhou que o cash flow operacional do trimestre foi o mais elevado de sempre, atingindo os 16,1 milhões. Mas a margem caiu, de 39,9% para 38%. Basicamente correu tudo mal, e as perspectivas para o primeiro trimestre fiscal, o do Natal, não são as mais animadoras. Cook volta a aparecer amanhã para a última apresentação de produtos do ano, e disso pode depender o sucesso das vendas no trimestre crítico das compras natalícias.

Dinheiro Vivo*

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