Mercado

Aquisição da Time Warner pela AT&T sob escrutínio político

28/10/2016 - 10:52, Global Report

Candidatos às eleições questionam concentração e defendem concorrênciano sector de media.

Por Paulo Narigão Reis 

A aquisição da Time Warner pela AT&T, por 85 mil milhões USD, é o negócio de mediado ano, mas já está a enfrentar contestação ainda antes de estar concluído. As maiores dúvidas vêm da classe política, que, na recta final para as eleições de 8 de Novembro, desconfiam da fusão pelas consequências que poderá ter no sector, nomeadamente quanto à hipótese de uma única empresa passar a controlar um elevado número de activos de media e respectiva distribuição. Tim Kaine, o candidato a vice-presidente de Hillary Clinton, expressou as suas dúvidas no programa Meet the Press, da NBC. “Sou a favor da concorrência. Menos concentração é, geralmente, melhor, principalmente no sector dos media”, afirmou o n.º 2 da candidatura do Partido Democrata.

Já o porta-voz da campanha de Hillary Clinton afirmou que a candidata tem “várias questões e dúvidas” em relação ao negócio, mas diz que precisa de saber mais antes de chegar a qualquer conclusão.

Bernie Sanders, o senador que Clinton derrotou nas primárias do Partido Democrata, foi mais radical numa mensagem publicada no Twitter: “A administração deve matar a fusão Time Warner-AT&T. Este negócio conduzirá a preços mais altos e a menos escolhas para o povo norte-americano.”

Do lado republicano, as palavras de Donald Trump foram, como seria de esperar, mais bombásticas. “Se for eleito presidente, ponderarei acabar com este negócio”, disse o candidato democrata, que, nas últimas semanas, tem dedicado grande parte do seu tempo a combater um sector que classifica como “desonesto”. Para Trump, esta aquisição pode levar a “demasiada concentração de poder nas mãos de muito poucos, o que pode destruir a democracia.”

O aumento dos preços nos serviços e a redução da escolha têm sido, precisamente, as maiores preocupações expressas por diversos grupos de defesa do consumidor, a que se junta, ainda, o potencial declínio no pluralismo dos media.

Oferta total

A aquisição de fornecedores de televisão por cabo e de produtores de conteúdos por parte de empresas de telecomunicações tem vindo a aumentar nos últimos anos, não só nos Estados Unidos como um pouco por todo o mundo. O objectivo é oferecer aos consumidores pacotes cada vez mais extensos, incluindo canais de televisão, conteúdos de media, serviço de Internet e de comunicações móveis. A aquisição da Time Warner pela AT&T – que no ano passado adquiriu a DirectTV, fornecedor de televisão por satélite – daria ao gigante de telecomunicações acesso a franchises de sucesso mundial como os filmes de Harry Potter ou de Batman e séries de televisão como A Guerra dos Tronos ou A Teoria do Big Bang.

Os rivais não estão parados: a Verizon está em negociações para adquirir a Yahoo e já comprou a AOL, que detém, por exemplo, o influente site de notícias Huffington Post.

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