Mercado

Economia da Austrália sofre com crise nas commodities

13/08/2015 - 15:27, Austrália

Preço do minério de ferro, a principal exportação australiana, caiu mais de 70% desde 2011.

Por Paulo Narigão Reis | Fotografia Bloomberg

O boom da economia da Austrália, alimentado pela sua preponderância na exportação de matérias-primas como o minério de ferro, o carvão mineral e o ouro, chegou ao fim. A queda nos preços das commodities ameaça lançar o país numa crise económica que lhe custará, certamente, o epíteto de “país sortudo” que lhe foi atribuído graças, precisamente, ao forte sector exportador, que tinha a China expansionista como grande cliente.
O défice da balança comercial da Austrália atingiu em Abril o recorde de 4,14 mil milhões de dólares australianos (3 mil milhões USD). Há poucos anos, ninguém acreditava que a economia australiana pudesse cair tanto. Enquanto o mundo sofria a bom sofrer com os efeitos da crise financeira de 2009, a Austrália vivia, e bem, à sombra do chamado superciclo das matérias-primas, quando a China comprava mais do que o solo australiano era capaz de produzir. Nasceram milionários no sector mineiro, o desemprego situou-se em níveis residuais, e a balança comercial apresentava invariavelmente um superavit.
O grande cliente das matérias-primas australianas era – e ainda o é – a China, cujo crescimento económico, quase sempre acima dos dois dígitos, alimentava a economia da grande nação da Oceânia. Mas, de repente, a China começou a crescer mais devagar e a comprar menos. O preço das commodities foi a grande vítima da contracção chinesa, e a economia australiana, altamente dependente da sua relação comercial com Pequim, veio por aí abaixo.
Em 2011, o preço do minério de ferro estava nos 180 USD por tonelada. Hoje, anda à volta dos 50 USD. O carvão mineral, matéria-prima que existe em abundância na Austrália, era, em 2011, de 150 USD por tonelada e, em 2015, anda pelos 60 USD. E foram precisamente estes dois sectores mineiros que mais sofreram com o abrandamento da economia chinesa, com a perda de receita a chegar aos gigantes da extracção, como as anglo-australianas Rio Tinto e a BHP Billiton.

Dívida aumenta
A queda nas exportações aumentou  sobremaneira o nível de endividamento externo da Austrália, que necessita de pedir mais dinheiro emprestado de forma a manter os níveis de financiamento dos serviços do Estado. A dívida externa australiana situa-se, por esta altura, nos 955 mil milhões USD, quase 60% do produto interno bruto da nação.
Apesar de estar bastante abaixo de muitos outros países do mundo – como a Grécia, cuja dívida externa já ultrapassa os 170% do PIB –, há quem considere que a situação pode tornar-se insustentável. Stephen Koukoulas, respeitado economista australiano, considera que o aumento da dívida do país pode comprometer as gerações futuras, afirmando mesmo que a Austrália pode tornar-se numa espécie de versão asiática da Grécia, em que a China assume o papel da União Europeia como grande banqueiro da economia australiana.
Se em 2013 o minério de carvão assumia 30% das exportações australianas, esse valor estará, hoje, mais perto dos 20%. No meio de tantas más notícias para a economia australiana, há, no entanto, alguma esperança de recuperação. Para contrabalançar a queda no comércio externo das matérias-primas, as exportações no sector dos serviços têm vindo a aumentar e, a preços actuais, já ultrapassam o minério de ferro, o carvão mineral e o gás natural liquefeito. O turismo e a educação são os serviços que mais contribuíram para esta subida que pode dar uma folga ao governo de Tony Abbott, primeiro-ministro da Austrália desde 2013.

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