Mercado

Banco do Japão prefere esperar para ver

15/10/2015 - 14:08, Asia, Global Report

A ameaça de recessão que volta a pairar sobre o país com a possível contracção do PIB no terceiro semestre não tira, para já, o sono aos responsáveis nipónicos.

Fotografia Bloomberg

As autoridades do Banco do Japão não vêem, para já, necessidade de uma expansão imediata de estímulos monetários, e preferem esperar para terem uma ideia mais clara da perspectiva económica, segundo fontes do sector. Os membros do conselho, que reunir-se-ão hoje e amanhã para discutir a política económica, querem ter a oportunidade de observar mais os dados económicos e a evolução dos mercados financeiros no Japão e no exterior. Com fortes lucros corporativos e um mercado de trabalho ajustado, as autoridades do banco central nipónico ainda esperam um ciclo económico virtuoso a consolidar-se no Japão. A inflação, excluindo o impacto da queda dos preços do sector da energia, está a aumentar.
Uma grande quantidade de dados económicos deverá ser publicada entre os dias 7 e 30 de Outubro quando, numa reunião do banco central, o presidente, Haruhiko Kuroda, fornecer uma actualização da perspectiva do Banco do Japão para o crescimento económico e a inflação. Os dados incluem as encomendas de máquinas e a conta-corrente de Agosto, os números do comércio e as leituras da produção industrial e das vendas a retalho referentes a Setembro.
O índice de preços ao consumidor de Setembro só no dia 30 de Outubro será publicado. Em Agosto, o indicador preferido do banco central, que exclui alimentos frescos, recuou 0,1%. Excluindo alimentos e energia, os preços subiram 0,8%.
Os dados económicos desta semana forneceram um cenário ambíguo. Dados sobre a produção industrial publicados na última semana mostraram um declínio inesperado em Agosto em relação ao mês anterior, levando alguns economistas do mercado a dizer que o PIB pode ter contraído no terceiro trimestre, inclinando o país de volta à recessão.
Entre os analistas consultados pela Bloomberg no mês passado, nenhum disse que o Banco do Japão aumentaria o estímulo a 7 de Outubro, enquanto 11 deles apontaram para que a alteração aconteça a 30 de outubro. Nove projectaram uma mudança na política económica no ano que vem, e 13 não prevêem qualquer tipo de alteração. Os dados sobre a produção mudaram a visão da JPMorgan Securities, em Tóquio, e na semana passada o economista Masaaki Kanno antecipou a sua previsão para a próxima medida do Banco do Japão do começo do ano que vem para 30 de Outubro.
A pesquisa Tankan do Banco do Japão, publicada na quinta-feira passada, registou um enfraquecimento da confiança das grandes empresas de manufactura, e alguns analistas apontaram para sinais positivos na confiança das empresas não manufactureiras e planos para as empresas aumentarem os investimentos.
Kuroda, que foi seleccionado pelo primeiro-ministro, Shinzo Abe, para ajudar a vencer a deflação e revigorar a economia, lançou um plano de compra de activos de proporções sem precedentes em 2013. E, em Outubro do ano passado, apanhou muitos analistas e investidores de surpresa com a expansão do programa.

Desdramatizar
O panorama global também não preocupa o governador do Banco do Japão. Na semana passada, Haruhiko Kuroda garantiu que não está preocupado com os riscos de que a esperada subida da taxa de juros nos Estados Unidos possa abalar os mercados globais ou espoletar uma fuga de capitais dos mercados emergentes. O responsável disse ainda que a inflação no Japão pode acelerar em direcção à meta estabelecida de 2% mesmo se o crescimento económico permanecer fraco, sugerindo que não pretende efectuar qualquer tipo de correcção monetária nos próximos tempos.
“A tendência geral dos preços está a melhorar de forma constante e, por agora, não vejo qualquer grande problema. As expectativas de inflação, que desempenham um papel fundamental para alcançar a nossa meta de preços, permanecem estáveis como um todo”, afirmou Kuroda após uma reunião com líderes empresariais em Osaka, na semana passada. Kuroda reiterou, no entanto, que está pronto para ampliar o grande programa de estímulos do banco central no futuro, caso o banco corra o risco de não alcançar a sua meta para a inflação, para superar uma longa fase de deflação debilitante.
O facto de a Reserva Federal, banco central dos Estados Unidos, estar a preparar a subida da taxa de juros de referência no futuro próximo mostra a força da economia norte-americana, o que é positivo para a economia global, considerou Kuroda. “Os temores de que a normalização dos juros norte-americanos possa espoletar uma grande fuga de recursos das economias emergentes e desorganizar a economia global parecem estar a recuar”, acrescentou.

Bloomberg/Mercado

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