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Banco Mundial e FMI de acordo: China coloca economia global em risco

22/10/2015 - 12:24, Asia, Global Report

A economia global deverá crescer 3,1% em 2015, enquanto o crescimento da China foi revisto em baixa para 6,9% este ano.

Por Paulo Narigão Reis | Fotografia Bloomberg

A China constitui o maior risco para a saúde da economia global. A conclusão pertence às duas maiores instituições económicas do planeta, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, que revelaram uma série de projecções para 2015 e 2016 nada animadoras para o crescimento económico mundial, com o crescimento do Leste asiático – que inclui a China – a ser depreciado pelo Banco Mundial e o crescimento global a ser revisto em baixa pelo FMI.
No seu derradeiro relatório, intitulado “East Asia and Pacific Economic Update”, o Banco Mundial cortou as suas previsões de crescimento em 2015 e 2016 para o Leste da Ásia e Pacífico, argumentando que as perspectivas estão condicionadas pelo risco de uma desaceleração acentuada na China e pelas possíveis repercussões do esperado aumento da taxa de juro de referência por parte da Reserva Federal dos Estados Unidos. A instituição com sede em Washington antevê agora que o crescimento económico na região, que inclui a China, seja de 6,5% em 2015 e 6,4% em 2016, contra 6,8% em 2014. A previsão anterior, datada de Abril, era de 6,7% para este ano e para o próximo.
“O cenário-base para o crescimento regional está sujeito a um grau de incerteza maior do que o habitual, e os riscos pesam mais para o lado negativo”, considerou o Banco Mundial no seu derradeiro relatório sobre a região. “Em particular, a incerteza engloba a trajectória, e as repercussões, do reequilíbrio económico da China e da esperada normalização da política de taxa de juros dos Estados Unidos”, acrescentou a instituição.
Para o Banco Mundial, a revisão em baixa das previsões para o crescimento económico da região reflecte principalmente a desaceleração, ainda que moderada, da economia da China, país para o qual o banco antevê o crescimento de 6,9% em 2015 e 6,7% em 2016, contra 7,3% em 2014. Na sua previsão anterior, o Banco Mundial situara o crescimento da segunda maior economia mundial em 7,1% em 2015 e 7% em 2016.

Crescimento global
Já o FMI cortou as suas previsões para o crescimento global pela segunda vez este ano. Na sua mais recente actualização do World Economic Outlook, a queda registada no preço das commodities e a desaceleração da China são apontados como os grandes culpados desta nova revisão nos números da instituição liderada por Christine Lagarde, que prescreve a necessidade de políticas voltadas para o impulsionamento da procura a nível mundial.
“Seis anos depois de a economia mundial emergir da recessão mais generalizada e profunda do pós–guerra, o Santo Graal do crescimento global robusto e sincronizado continua a ser um objectivo distante”, refere Maurice Obstfeld, economista-chefe da instituição.
O FMI, que realizou a sua reunião anual na semana passada em Lima, capital do Peru, prevê que a economia mundial cresça 3,1% este ano e 3,6% em 2016. As novas previsões estão 0,2 pontos percentuais abaixo da estimativa de Julho e 0,4 %e 0,2% abaixo da previsão de Abril.
A revisão em baixa acontece apósos bancos centrais das principais economias a nível mundial terem cortado as taxas de juro de referência para um valor próximo do zero e despenderem cerca de 7 biliões USD em programas de estímulo económico nos sete anos que já passaram desde a crise financeira global de 2008.
Apesar der todas as medidas tomadas, itens como investimento, crescimento e produtividade continuam em estagnação, em níveis mais baixos do que antes da crise financeira, com a agravante de existir, nesta altura, uma grande redução na procura global.
Entre as principais economias, os Estados Unidos devem, segundo o FMI, crescer 2,6% em 2015 e 2,8% em 2016. Por sua vez, a China deve desacelerar o crescimento para 6,8% este ano e 6,3% no próximo ano. Por sua vez, a zona euro deverá crescer 1,5% em 2015 e 1,6% em 2016, enquanto para o Japão a previsão é de subida de 0,6% em 2015 e de 1% em 2016.

Emergentes em dificuldade
No entanto, 0 maior revés para o crescimento global virá das economias emergentes, onde o FMI cortou a previsão de crescimento para 4% em 2015, devido à grande queda verificada nos preços das matérias-primas. Entre as nações emergentes, o Brasil será dos mais castigados: o PIB brasileiro deverá encolher 1,5% em 2015 e 1% em 2016, revertendo a anterior previsão de crescimento de 0,7% prevista para o ano que vem. Pior que o Brasil na América do Sul só a Venezuela, que verá a sua recessão agravar-se em 10% e 6% em 2015 e 2016, respectivamente. Segundo o FMI, o crescimento das economias emergentes em 2016 reflecte a recessão menos profunda ou a normalização parcial das condições em países com a situação económica deteriorada em 2015, como Brasil, Rússia e alguns países da América Latina e do Médio Oriente, como o Irão.
“A distribuição de riscos para o crescimento global permanece inclinada para o lado negativo”, sentencia o relatório do Fundo Monetário Internacional.

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