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China planeia megacidade com 130 milhões de pessoas

13/08/2015 - 09:22, Asia, Global Report

A gigantesca metrópole vai juntar a capital Pequim à cidade de Tianjin e à província de Hebei.

Por Paulo Narigão Reis | Fotografia DR

Se existe uma nação associada à palavra mega, é a China. A segunda maior economia do mundo, que já esteve mais longe de ser a primeira, gosta de fazer tudo em grande, cidades incluídas. O novo grande projecto do governo de Xi Jinping é uma metrópole gigantesca de 212 mil quilómetros quadrados e 130 milhões de habitantes, mais do que a população total do vizinho e rival Japão.
Jing-Jin-Ji, assim chamar-se-á a nova cidade, não será uma nova metrópole construída de raiz, antes a junção administrativa e económica de duas cidades e uma província inteira, e o nome explica-se assim: Jing é para Pequim (do chinês Beijing); Jin, para Tianjin, e Ji, para a província de Hebei, conhecida na época da dinastia Han como província de Ji.
O casamento dos recursos que cada região oferece é a ideia por trás da megacidade, anunciada após uma reunião do Partido Comunista chinês em 11 de Julho passado. No plano delineado (e que já se encontrava em estudo há décadas), a nova megalópole terá o melhor de três mundos: o poder económico de Pequim, o acesso marítimo de Tianjin, através do porto para o mar de Bohai, e a capacidade tecnológica da província de Hebei.
Embora a união seja, fundamentalmente, administrativa, vai obrigar a grandes alterações ao nível das infra-estruturas. A criação do que será um gigante corredor urbano implicará a a deslocação de hospitais, departamentos do Estado e mais de um milhar de empresas para a zona de Hebei. Ao mesmo tempo, está planeada a construção de uma série de linhas de comboio de alta velocidade com a capacidade de atravessar a megacidade de um lado ao outro no espaço de uma hora, facilitando o transporte dos 130 milhões de habitantes. Serão ainda construídas novas auto-estradas e pontes, ao mesmo tempo que serão melhoradas as ligações entre as várias estradas da região.

Reduzir Pequim
Para além da optimização de recursos, o governo chinês pretende limitar a população de Pequim para o máximo de 23 milhões, um pouco mais do que os actuais 22 milhões. O plano inclui ainda a redução da população de seis bairros da capital chinesa em 15%, com a transferência de muitos serviços públicos para Hebei.
Ao mesmo tempo, cerca de 1200 empresas poluidoras sairão de Pequim, nomeadamente as refinarias de carvão e de aço que, desde há anos, fazem da capital chinesa uma das cidades mais poluídas do mundo.
Outro dos objectivos do governo de Xi Jinping é o desenvolvimento do turismo nas áreas montanhosas que rodeiam a capital, com a organização dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, que a China conquistou, no horizonte.

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