Mercado

China prepara-se para privatizar parte das empresas públicas

01/10/2015 - 14:34, Asia, Global Report

O governo de Xi Jinping quer ver as empresas estatais mais sujeitas às forças do mercado e poderá mesmo encerrar as que dão prejuízo há muito tempo.

A China apresentou o esperado plano de privatização parcial das empresas do Estado. A reforma do sector, que emprega cerca de 30 milhões de pessoas e possui activos avaliados em 100 bilhões de iuanes (cerca de 15 mil milhões USD), estava prometida há pelo menos dois anos. O governo de Xi Jinping quer tornar as empresas estatais mais sujeitas às forças do mercado e pretende reestruturar aquelas que apresentarem baixa performance, estando ainda previsto o encerramento de algumas das empresas públicas.
Zhang Xiwu, vice-director do órgão de fiscalização de activos estatais, anunciou que o governo vai trabalhar para reorganizar e fundir empresas estatais para centralizar o capital do Estado em sectores importantes, e restringirá investimento estatal em indústrias que não estejam em linha com políticas nacionais. “Vamos fazer mais esforços para reformar as ‘empresas zombies’, empresas que dão prejuízo há muito tempo”, disse Zhang.
Afinando pelo mesmo diapasão, o presidente Xi Jinping considera que a China “deve empenhar-se na atracção de investimento e tecnologia estrangeira e aperfeiçoar os instrumentos de abertura ao exterior”. O líder da segunda maior economia mundial proferiu estas declarações durante uma reunião com o grupo do Partido Comunista da China encarregado do aprofundamento das reformas.
As medidas em discussão incluem, para além da abertura das empresas estatais ao capital privado e à propriedade mista, a atracção de talentos estrangeiros e menor controlo fronteiriço, escreveu a agência oficial chinesa Xinhua.
“O objectivo é atribuir ao mercado um papel decisivo na alocação de recursos, construir um ambiente de negócios transparente e promover a abertura do país”, revela a agência. Oplano de reformas pretende ainda que os grupos estatais sejam “independentes e responsáveis pelos ganhos, perdas e riscos”.
As empresas do Estado detêm um papel central no modelo económico assente no investimento em obras públicas, que tem assegurado o crescimento da China num período de estagnação global, mas que é agora denominado pela liderança do país como “insustentável”.
Há duas semanas, um relatório da câmara do comércio da delegação da União Europeia em Pequim referia: “As adversidades da economia chinesa só poderão ser superadas se as autoridades corrigirem os seus velhos métodos.”
“O Governo chinês deve evitar as suas tendências proteccionistas, que continuam a restringir o acesso legítimo ao mercado”, lê-se no relatório, citado pela agência Lusa. Dois anos após a liderança chinesa ter reconhecido o “papel decisivo do mercado” na vida económica do país, o documento refere que existem “avanços, mas também recuos”, e aponta a ausência do primado da lei e a excessiva intervenção governamental como os principais obstáculos à reforma económica no país.

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