Mercado

Deflação força empresas japonesas a subir salários

29/11/2016 - 15:47, Asia, Global Report

O primeiro-ministro japonês voltou a pedir ao sector privado para aumentar os salários para acabar com a deflação crónica que afecta o país.

Por Dinheiro Vivo 

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, voltou a pedir ao sector privado para aumentar os salários com o fim de acabar com a deflação crónica que afecta a terceira economia mundial, informou a imprensa local.

Pelo quarto ano consecutivo, Shinzo Abe pediu aos executivos das principais empresas do país que aumentem os salários-base dos seus funcionários.
“As subidas salariais no próximo ano são essenciais para continuar o ciclo de crescimento económico”, afirmou o líder conservador, que acrescentou que estes aumentos “devem ser pelo menos tão volumosos como os de 2016”.

O aumento salarial é um dos instrumentos do chamado “Abenomics”, o programa económico do governo que pretende criar um ciclo de crescimento dos lucros das empresas, dos salários e do consumo para terminar o ciclo deflacionário que afecta o Japão há quase duas décadas. Durante os últimos três anos, as grandes empresas japonesas de automóveis ou de electrónica deram aumentos aos seus funcionários com contratos sem termo, mas tal não foi suficiente para incentivar em termos gerais o consumo, principal motor da economia nacional. Em 2015, o salário mensal médio no Japão aumentou 0,2% em termos nominais, mas desceu 0,1% em termos reais (incluindo o efeito da inflação), o que representa a quinta queda anual consecutiva.

Compra de dívida

O Banco do Japão anunciou entretanto que vai avançar para um programa ilimitado de compra de dívida soberana a preço fixo. O anúncio, que apanhou os mercados de surpresa, tem como objectivo travar a subida geral das taxas de juro que se seguiram à eleição de Donald Trump nos EUA. O Japão não escapou à tendência.

Os juros da dívida a dez anos deixaram de estar em terreno negativo na semana passada pela primeira vez desde Setembro, e ontem atingiram o nível mais elevado desde Março.

Ainda assim, os analistas consultados pelo Wall Street Journalforam unânimes em afirmar que a medida foi inesperada. “Pensei que ainda havia espaço de manobra antes de o Banco do Japão ter de intervir”, sublinhou um especialista da Masahiro Ichikawa. O programa inclui duas operações, uma que prevê a compra de dívida com prazo de um a três anos, e a outra para adquirir títulos com maturidade entre três e cinco anos. Logo após o anúncio, os juros da dívida do Japão caíram em praticamente todas as maturidades. A yield a 10 anos está a cair para os 0,006%, e os juros a dez anos recuam para 0,024%.

Gosta deste artigo? Partilhe!

Deixe o seu comentário

You must be logged in to post a comment.