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Donald Jr. compromete credibilidade de Trump

14/07/2017 - 15:13, Global Report

Encontro com advogada russa com promessa de informações sobre Hillary Clinton lança novas suspeições.

Por Paulo Narigão Reis 

O caso das ligações entre a campanha de Donald Trump e a Rússia teve direito a mais uma acha para a fogueira depois da publicação de uma corrente de e-mails entre o filho mais velho do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump Jr., e um promotor musical sobre um encontro com uma advogada russa que possuiria informações incriminatórias para a campanha de Hillary Clinton.

Foi o New York Times que revelou o teor dos e-mails e subsequente encontro de Trump Jr. com a advogada russa Natalia Veselnitskaya, em Junho de 2016, durante a campanha eleitoral para as presidenciais de Novembro, numa reunião onde estiveram também presentes Paul Manafort, à altura chefe da campanha de Trump, e Jared Kushner, genro do presidente.

Numa jogada de antecipação ao jornal mais odiado pelo pai, Donald Trump Jr. divulgou a cadeia de e-mails trocada com o britânico Rob Goldstone, antigo jornalista e promotor musical com ligações à Rússia.

Os e-mails mostram que foi dito a Donald Trump Jr. que o governo russo tinha informações que podiam “incriminar” a candidata do Partido Democrata, relativamente aos seus contactos com a Rússia.

Na troca de mensagens, Goldstone diz a Trump Jr. que “o procurador da Rússia” se ofereceu para “fornecer à campanha de Trump documentos oficiais e informações que incriminam Hillary Clinton e as suas relações com a Rússia e que seriam muito úteis ao seu pai”.
Goldstone acrescenta: “Esta é obviamente informação de muito alto nível e sensível, mas é parte do apoio da Rússia e do seu governo ao senhor Trump.” “Se é isso que diz, adoro”, respondeu Trump Jr.

Traição?

A revelação foi, naturalmente, aproveitada pelo Partido Democrata. O senador Tim Kaine, que teria sido o vice-presidente de Hillary Clinton, afirmou que a interferência russa nas eleições norte-americanas está a ir além da obstrução à justiça.

“A investigação ainda nada provou, mas agora estamos além da obstrução à justiça, em termos do que se está a investigar”, afirmou Kaine, acrescentando: “Isto está a converter-se em perjúrio, declarações falsas e inclusive potencial traição.”

Do lado republicano, apenas as vozes geralmente críticas de Trump comentaram o caso. O senador e ex-candidato presidencial John McCain considerou que já são demasiadas as informações e os indícios relacionados com a ingerência russa nas eleições presidenciais, insistindo que este último episódio também deve ser investigado. Outro senador do GOP, Lyndsay Graham, qualificou a troca de mensagens de Trump Jr. como “alarmante”.

A resposta de Trump sénior chegou, obviamente, através do Twitter, com o presidente norte-americano a escrever que o seu neófito é “aberto, transparente e inocente”, considerando a investigação à interferência russa nas presidenciais de Novembro passado como “a maior caça às bruxas na história política”.
Já Trump Jr. escolheu um local “seguro” para fazer a sua defesa. Numa entrevista no programa de Sean Hannity, habitual “cheerleader” de Trump, na Fox News, o filho do presidente garantiu que nunca partilhou com o pai o encontro com a advogada russa. “Não. Não se passou nada. Não havia nada a dizer”, declarou.

Este novo desenvolvimento prejudica os esforços dos republicanos para avançar com a agenda política de Donald Trump no Congresso, a começar pela revogação e substituição da lei de cobertura de saúde, o designado ObamaCare. Ainda assim, os republicanos conseguiram incluir no orçamento de 2018 os 1600 milhões USD que a Casa Branca solicitou para construir o famoso e famigerado muro entre os Estados Unidos e o México.

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