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Donald Trump abre nova fase da política mundial

27/01/2017 - 12:14, Global Report

Especialistas em relações internacionais defenderam que Trump marca o começo de um novo mundo, de contornos difíceis de antecipar.

Por Dinheiro Vivo 

Especialistas em relações internacionais concordaram, em Lisboa, que a posse de Donald Trump marca o começo de um novo mundo, de contornos difíceis de antecipar e com incógnitas como o futuro do multilateralismo nascido do pós-guerra. “É o primeiro presidente dos EUA a pôr em causa a integração europeia”, exemplificou o investigador Carlos Gaspar, um dos intervenientes na conferência “Trump Day”, que decorreu recentemente na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Gaspar referia-se a declarações do presidente dos EUA caracterizando a União Europeia como um mero instrumento de dominação da Alemanha, e frisou que a integração europeia tal como ela é foi uma criação dos Estados Unidos após a II Guerra Mundial.

“A NATO é obsoleta; a UE, instrumentalizada, da ONU nem fala… Um novo mundo de relações entre pares”, referiu, aludindo a afirmações de Donald Trump. O investigador do IPRI (Instituto Português de Relações Internacionais) defendeu na sua intervenção que, apesar das muitas declarações questionando a política externa norte-americana das últimas décadas, Trump não vai conseguir mudá-la porque lhe falta experiência e capacidade.

“Trump não vai conseguir mudar a política em relação à Rússia porque não é um presidente [Harry] Truman […] ou a política em relação à China porque não é um [Richard] Nixon”, disse. “Trump não tem uma carreira política ou de serviço público. Todos os outros presidentes antes dele ou eram políticos ou generais.
Trump é virgem, só faz política há dois anos, desde que lançou a candidatura, não tem a menor experiência diplomática e conhece muito mal os Estados Unidos”, afirmou. Outros intervenientes, como o embaixador Francisco Seixas da Costa, consideraram que o novo presidente americano abre, com as dúvidas que suscita, uma era de imprevisibilidade, a qual, partindo daquela que é “a potência decisiva” do mundo actual, “induz factores de insegurança” à escala global.

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