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Draghi: “A Europa precisa de um sucesso como o MIT”

06/07/2017 - 09:27, Global Report

No último dia em Sintra, o tom voltou a ser de precaução: “difícil”, “muito difícil”, “dificuldades” em obter uma retoma profunda e ampla.

Por Luís Reis Ribeiro*

A “prudência” que Mario Draghi diz que vai ter para os estímulos a uma retoma que está a andar, mas ainda é algo superficial, e a “paciência” que pede aos europeus por causa desta demora e ligeireza têm uma razão de ser.

Falta cultura de inovação, um ambiente mais propício à disseminação da tecnologia e da produtividade.
Faltam “sucessos como o MIT”, o famoso centro de investigação de Massachusetts, nos Estados Unidos.

Embora o presidente do Banco Central Europeu (BCE) diga que está confiante em ganhos de produtividade no curto a médio prazo (cíclica ou conjuntural), ele assume grandes dúvidas de que essa subida de nível venha para ficar.

O tom voltou a ser de precaução; “difícil”, “muito difícil”, “dificuldades” em obter uma retoma profunda e ampla voltaram a ser expressões que marcaram o debate em Sintra.

No curto prazo, as coisas parecem estar encaminhadas, contrapôs. No terceiro e último dia do Fórum BCE, num resortde luxo sintrense, Draghi voltou a referir-se aos alienados do mercado de trabalho, os desencorajados que procuram emprego mas desistem porque não encontram oportunidades em tempo útil e aos que querem trabalhar mais e não conseguem como sendo um dos impedimentos à disseminação da produtividade e dos benefícios do investimento em economias avançadas, como as da zona euro.

Além disso, as medidas “inapropriadas” de desemprego também complicam a missão do BCE, já que podem perturbar a transmissão das medidas de política monetária à economia e à inflação.

Além disso, repetiu, faltam mais reformas estruturais do lado dos governos. Falta no mercado de trabalho, mas falta fazer muito no “mercado de capitais”.
Na zona euro, esta ausência é “uma das maiores fontes de incerteza que existem”.
Draghi falou do “declínio” da produtividade que marcou os últimos anos, embora esteja “relativamente confiante de que, à medida que a retoma melhora, também a produtividade” acompanhará.

No entanto, este progresso parece ser apenas “na frente cíclica”, conjuntural. Não é uma vaga de fundo. “Na frente estrutural, é mais complicado”, lamentou.

Leia mais na edição nº111 do Jornal Mercado, brevemente nas bancas. 

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