Mercado

Economia alemã começa a sentir impacto da desaceleração mundial

09/10/2015 - 16:18, Global Report

  Os maiores institutos alemães de estudos de conjuntura reviram esta quinta-feira em baixa as previsões de crescimento da Alemanha em 2015, devido à desaceleração da economia mundial. “A economia alemã encontra-se numa fase de expansão contida”, aponta o relatório semestral de quatro institutos (Ifo, RWI, DWI, IWH), que representam correntes económicas diferentes. O PIB […]

 

Os maiores institutos alemães de estudos de conjuntura reviram esta quinta-feira em baixa as previsões de crescimento da Alemanha em 2015, devido à desaceleração da economia mundial.

“A economia alemã encontra-se numa fase de expansão contida”, aponta o relatório semestral de quatro institutos (Ifo, RWI, DWI, IWH), que representam correntes económicas diferentes.

O PIB da principal economia europeia, que registou um crescimento de 1,6% em 2014, crescerá 1,8% neste ano de acordo com os institutos, que na última primavera calculavam essa expansão em 2,1%.

A economia alemã vem dando sinais de perda de dinamismo há vários meses, com um crescimento de 0,3% no primeiro trimestre e de 0,4% no segundo.

Os institutos mantêm sem modificações a previsão para 2016, de uma expansão do PIB de 1,8%, parecida com a de 2015.

Consumo, novo motor

As previsões de crescimento dos institutos coincidem com as do governo alemão (+1,8% em 2015 e 2016), que deve, em breve, rever as suas projecções. O FMI já reduziu as suas,  a 1,5%.

O relatório desta quinta confirma a mudança de paradigma dos últimos anos, apontando o consumo como principal motor da economia, no momento em que as exportações se vêm afectadas pela fraca demanda mundial.

“A expansão sustentar-se-á no consumo privado, graças a aumentos salariais e às economias realizadas nas facturas energéticas, devido à queda dos preços do petróleo, explica o relatório.

“Dada a expansão moderada da economia mundial, as exportações só poderão registar um progresso moderado”, acrescenta, citando em particular “os problemas em toda uma série de países emergentes”.

“Os riscos sobre o clima económico internacional aumentaram. O que vemos na China e em outros países em desenvolvimento constitui sem dúvida um grande factor de risco para uma economia orientada à exportação”, afirmou Roland Döhrn, do instituto RWI, em conferência de imprensa em Berlim.

Os dados publicados apontam uma queda de 5,2% das exportações alemãs em Agosto. Outros índices já apontaram nesta semana uma redução dos pedidos e da  produção industrial.

Impacto económico dos refugiados

Os institutos também começam a avaliar o impacto económico da chegada de milhares de refugiados à Alemanha nos últimos meses.

O Estado deverá destinar 4 mil milhões de euros neste ano e  de 11 mil milhões em 2016 para organizar a acolhida desse enorme fluxo humano, mas não pesará no orçamento mais do que “um pequeno programa de conjuntura”, segundo Ferdinand Fichtner, do instituto DIW.

Também haverá em 2016 um “pequeno aumento” do desemprego, que passará de 6,4% em 2015 para 6,5% em 2016, embora os imigrantes possam permitir à Alemanha compensar o envelhecimento da população, indica o relatório.

A Alemanha terá que superar ainda o escândalo dos carros adulterados da Volkswagen, que colocam em risco a imagem de toda a sua indústria, embora seja impossível calcular o impacto desse fator, lembrou Fichtner.

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