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‘The Economist’ diz que bolha da China rebenta em 2018

25/10/2016 - 09:43, Asia, Global Report

A publicação diz que crise só não acontecerá antes porque o presidente da China “não quer más notícias” até ao congresso do PC, em 2017.

A economia chinesa deve sofrer uma “aterragem violenta” em 2018, alerta o gabinete de estudos económicos da revista The Economist. Só não acontece antes porque em Outubro de 2017 há o importante congresso do Partido Comunista do país, fórum que se realiza só a cada cinco anos.

Num artigo de opinião enviado aos assinantes da revista, Simon Baptist, o economista-chefe da Economist Intelligence Unit (EIU), faz um retrato bastante negro do que está para vir naquela que é considerada a segunda maior economia do mundo. Actualmente ainda a crescer, mas o abrandamento é cada vez mais visível, mostrou há dias o FMI.

O diagnóstico da EIU é especialmente pertinente para Portugal, tendo em conta os muitos investimentos chineses na economia portuguesa e as muitas parcerias e projectos que estão a ser apadrinhados actualmente pelo governo e o próprio primeiro-ministro, António Costa, que regressa recentemente de uma viagem de negócios e de diplomacia económica ao gigante asiático. Para Simon Baptist, “durante muitos anos, os economistas – incluindo os da EIU – têm falado da possibilidade de uma aterragem violenta da China”. Embora o conceito seja algo “nebuloso”, isso traduz-se na prática num “grande abrandamento do crescimento (nos ditos dois pontos percentuais)” num só ano, refere o perito. Há cinco anos, diz o mesmo economista, este não era o cenário mais provável – “pensávamos que a China poderia evitar isto” – mas tendo em conta “a enorme acumulação de crédito no país, significa que tal abrandamento é agora inevitável”. “O boom[explosão] de crédito na China é insustentável não apenas por causa do seu tamanho, mas também porque estes empréstimos foram canalizados para empresas estatais não produtivas em vez de terem ido para o sector privado mais dinâmico”, atira Baptist. E acrescenta: “Isto faz que seja improvável que os lucros futuros sejam suficientes para servir esses empréstimos.”

Bolha adiada, diz a EIU

No entanto, a bolha não deve rebentar já em 2017 por uma razão: política. “Pensamos que o abrandamento irá acontecer só em 2018, já que Xi Jinping [o presidente da China] não irá querer más notícias sobre a economia antes de Outubro de 2017, altura em que realiza o congresso quinquenal do Partido Comunista.” A EIU aposta que o líder chinês vai conseguir travar a “onda” da crise até lá, embora “ele saiba que o acerto de contas é inevitável e, possivelmente, até do interesse de longo prazo da própria China”. A 20 de Outubro, o FMI avisou que o governo chinês “tem de tomar medidas para travar o crédito que está a aumentar a um ritmo perigoso e cortar apoios às empresas públicas inviáveis, aceitando que o crescimento do PIB é mais lento”. Segundo vários peritos, um dos maiores problemas é a alta concentração de crédito imobiliário, que pode nunca chegar a ser pago aos bancos domésticos e estrangeiros, com interesses no país. Segundo o FMI, em 2015 a “segunda maior economia do mundo” cresceu 6,9%, neste ano expande-se 6,6%, e em 2017 fica pelos 6,2%.

Dinheiro Vivo

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