Mercado

Energia solar é a renovável mais barata do mundo

02/01/2017 - 10:27, Global Report

Nos mercados emergentes, a construção de projectos solares já é mais barata que a de iniciativas de energia eólica, diz a Bloomberg

Por Lucília Tiago 

O ano de 2016 trouxe uma mudança notável no paradigma da energia: a solar tornou-se a mais competitiva.

Tornou-se mais barata que a eólica, nos mercados emergentes, e já é mais lucrativa que a do carvão ou gás natural, em larga escala. Os dados foram divulgados através da Bloomberg New Energy Finance, que publicou o estudo Climatescope 2016.

O relatório indica de forma clara que o foco das energias renováveis passou do Norte para o Sul. Ou seja, em comparação com os países da OCDE, as 58 economias emergentes analisadas, situadas na América do Sul, África, Ásia e Médio Oriente, atraíram mais investimento e mostraram maior capacidade de produção de energia limpa. A China é responsável por grande parte dos resultados, mas outras nações menos desenvolvidas também desempenharam o seu papel.
Em relação à energia solar, o Climatescope teve em conta os leilões onde empresas privadas concorrem para contratos de fornecimento de energia. Em Janeiro, na Índia, foi fechado um negócio a 64 USD por megawatt/ hora, com produção solar. No Chile, em Agosto, assinou-se um contrato que baixou o valor para os 29,10 USD.

É a electricidade mais barata e representa cerca de metade do preço dos concorrentes de energia a carvão.
O custo da energia solar tem vindo a cair a pique ao longo dos anos.

Calculava-se que, mais tarde ou mais cedo, acabasse por ultrapassar a energia eólica. Só que ninguém esperava que fosse tão cedo. Só no próximo ano serão contabilizados todos os projectos efectuados e finalizados em 2016 e apenas nessa altura se poderá avaliar resultados concretos. Mas, para já, as projecções da Bloomberg apontam para 70 gigawatts de energia solar instalados em 2016, em comparação com os 59 gigawatts gerados a partir de energia eólica.

Portugal com 1,5% solar
Portugal tem sido um dos países europeus onde as renováveis têm crescido de forma exponencial, mas a energia solar representa apenas 1,5% da produção nacional de electricidade.

“Isso acontece porque não se acreditou que este tipo de energia fosse vingar e não foram criadas condições”, afirma ao Dinheiro Vivo António Sá da Costa, presidente da Associação de Energias Renováveis.

“Usamos muito o sol para nos bronzearmos no Verão, mas esquecemonos de que o sol que bate nos nossos telhados pode também produzir energia, por exemplo, através do aquecimento das águas sanitárias”, explicou.

Em Portugal, as renováveis já representam 59% da produção eléctrica, sendo que a hídrica tem uma fatia de 31%, e a eólica, de 22%. A energia solar é a que tem menor expressão. Ainda assim, o pico dá-se em Julho, quando produz o triplo de Janeiro, altura em que atinge o valor mais baixo. António Sá da Costa acredita que os dados do Climatescope apresentam uma tendência mundial.

“Vêm aí mudanças. A energia solar vai ganhar um peso maior no mundo inteiro, e aqui também vai ter de crescer”. No entanto, o crescimento dos países emergentes no sector não assusta o dirigente. “A energia solar sozinha não vale de muito. As outras não vão desaparecer. E Portugal tem uma eólica e uma hídrica fortes.”

Por seu turno, a Associação Sistema Terrestre Sustentável, Zero, vincou que Portugal registou o consumo de electricidade totalmente assegurado por energias renováveis durante quatro dias.

Este é um facto muito positivo da acção de Portugal, pois foi possível ter “100% renovável durante 107 horas consecutivas”, já que, entre as 6:45 de 7 de Maio e as 17:45 de 11 de Maio, o consumo de electricidade foi assegurado integralmente por fontes renováveis, explicam os ambientalistas.

A entrada em vigor do Acordo de Paris no início de Novembro, para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e tentar travar as alterações climáticas, e o anúncio por António Costa de que Portugal será neutro em carbono em 2050, também são considerados aspectos positivos das políticas de energias limpas durante o ano de 2016. Para a Zero, avançar com a Estratégia Nacional para a Economia Circular, a total transparência na aplicação do Fundo Ambiental e a proibição definitiva da utilização do chumbo nas munições da caça e de fitofármacos nos espaços públicos são desafios para 2017.

* Dinheiro Vivo

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