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FMI pretende negociar com Moçambique programa estrutural e de longo prazo

09/06/2017 - 16:19, Global Report

O FMI e doadores internacionais congelaram os apoios ao orçamento de Estado em 2016 depois de reveladas dívidas ocultas de 2,2 mil milhões USD.

Por Dinheiro Vivo | Lusa 

O Fundo Monetário Internacional (FMI) pretende negociar com Moçambique um programa estrutural e de longo prazo, disse hoje o representante da instituição em Maputo. “Se conseguirmos chegar a um acordo com Moçambique, e tenho optimismo em como vamos conseguir chegar a esse acordo, estamos realmente pensando num programa que seja mais estrutural” do que de apoio pontual, referiu Ari Aisen numa conferência sobre perspectivas económicas.

O FMI entende que o problema do país não é “um problema transitório de balanço de pagamento” que se resolva com um auxílio pontual do FMI, como acontece noutros Estados. “Na nossa visão e diagnóstico, Moçambique precisaria de um programa de mais longo prazo e que realmente tivesse um foco bastante relevante sobre temas estruturais, principalmente aqueles que tocam as finanças públicas”, referiu.

O reordenamento das finanças públicas, o seu redesenho com outro tipo de administração, bem como a temática da gestão da dívida são “dossiers essenciais que precisam de ser colocados na mesa” e onde são necessárias reformas.

O FMI e doadores internacionais congelaram os apoios ao orçamento de Estado em 2016 depois de reveladas dívidas ocultas de 2,2 mil milhões USD contraídas entre 2013 e 2014 por três empresas estatais junto de bancos estrangeiros com garantias do Governo que não foram aprovadas no parlamento nem inscritas nas contas públicas. Todos condicionaram a retoma de programas de apoio à realização de uma auditoria às dívidas cujo relatório foi entregue a 12 de Maio à Procuradoria-Geral da República (PGR) de Moçambique, mas que ainda não foi divulgado. “Vamos aguardar”, concluiu Ari Aisen.

Uma nota final sobre a participação da Galp na exploração e produção de gás natural em Moçambique. Esta é encarada como “um desafio” pelo presidente da comissão executiva da empresa, que já rubricou o arranque de um novo projecto em Maputo.

“Esta é uma primeira fase, quase como um aperitivo para o desenvolvimento de Moçambique, que está a dar os seus primeiros passos” no sector, referiu Carlos Gomes da Silva no lançamento do empreendimento Coral Sul. “É um grande desafio que temos aqui em Moçambique e que também ajudará a transformar a Galp”, elevando-a para “um outro nível”, sublinhou Carlos Gomes da Silva. Este consórcio vai investir 8 mil milhões USD no projecto Coral Sul para extrair gás natural que se encontra debaixo do mar, para uma plataforma flutuante que o vai transformar em líquido e exportá-lo em navios. O primeiro carregamento de gás natural liquefeito está previsto para daqui a cinco anos, e a BP vai comprar toda a produção durante 20 anos. Recorde-se que Moçambique desceu nos níveis internacionais de segurança e paz.

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