Mercado

Hedge funds trocam Alibaba por rival de menor tamanho

24/09/2015 - 14:07, Asia, Global Report

A JD.com está a ganhar terreno. Mais pequeno, mas mais seguro e com um crescimento mais rápido. Há quem chame esta guerra pelo e-commerce uma ‘cat and dog fight’.

Há menos de um ano, os investidores só ambicionavam acções da Alibaba. Na altura, a maior empresa de comércio eletrónico da Ásia fazia a sua estreia recorde na Bolsa de Nova Iorque. Agora, a confiança está a mudar. A JD.com, concorrente de menor tamanho, está a converter-se numa das favoritas hedge funds do mundo do e-commerce.
Os hedge funds aumentaram a sua presença na JD.com de 1,2%, no terceiro trimestre do ano passado, para 18% no final de Junho, segundo dados da Bloomberg. Paralelamente, reduziram os seus investimentos na Alibaba em mais de um terço, para cerca de 3,1% durante esse período. Os investidores em busca de exposição ao maior conjunto de usuários de Internet do mundo estão a apostar que a capacidade da JD.com de oferecer produtos de maior qualidade por meio do seu modelo de entrega directa ajudará a companhia a manter uma taxa mais rápida de crescimento. Embora a Alibaba ainda domine com o maior valor total de transacções em todas suas plataformas, a JD.com está a impulsionar as suas vendas a um ritmo de mais que o dobro do que o da sua rival neste ano.
“Elas têm modelos de negócios muito diferentes, e a JD.com está a crescer mais rapidamente”, disse Gabriel Wallach, fundador da North Grove Capital, que investe em acções chinesas. Os hedge funds preferem esta pela sua taxa de expansão, pela sua capacidade de cumprir com os lucros trimestrais prometidos e pelo seu “modelo mais limpo de comércio electrónico”, refere.

Modelo de negócios
A JD.com opera um modelo de negócios similar ao da Amazon.com nos EUA, vendendo e entregando bens directamente aos clientes, o que permite à empresa controlar a qualidade e os embarques. A Alibaba obtém a maior parte dos seus ganhos de comerciantes que pagam para usar as suas plataformas de mercado para chegar aos compradores, imitando a forma de operar da eBay, com sede na Califórnia.
O volume bruto de mercadorias da JD.com, uma medição utilizada pelos comerciantes online para calcular o valor total das vendas feitas nas suas plataformas, saltou 89% no primeiro semestre de 2015 em relação ao ano transacto. O da Alibaba cresceu 37%. A receita da JD.com para o ano completo subiu 66% em 2014, e a da Alibaba expandiu-se 46% no seu último ano.

Relatório
Relatório publicado por uma agência do governo chinês em Janeiro revela que a Alibaba não conseguiu eliminar os bens falsificados nas suas plataformas, o que se repercute na diminuição de confiança por parte dos investidores. Por tudo isto, o presidente, Jack Ma, comprometeu-se a redobrar os esforços contra as falsificações.
Por outro lado, as receitas da JD.com superaram as projecções dos analistas nos últimos quatro trimestres, ao passo que as vendas da Alibaba ficaram aquém em dois trimestres do período. Os analistas projectam que as vendas da JD.com aumentem 53 % no terceiro trimestre e predizem um ganho de 29%. Os investidores dos EUA com boa memória lembram-se de que a eBay era a líder do mercado até que a Amazon combinou as divisões de mercado e entrega directa para superá-la. Se a coisa se der de forma similar na China, a JD será a melhor aposta.

NR/Bloomberg

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