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Jogos Olímpicos comprometem economia do Brasil

05/08/2016 - 14:35, América Latina, Global Report

Receber os Jogos Olímpicos resultará, para o país brasileiro, “num aumento das insolvências entre os negócios regionais, e na criação de pressões inflacionárias que só desaparecerão em 2020, para além de contribuir para a tendência já flagrante da subida da dívida pública”.

Por Económico 

Para além do reduzido crescimento económico e baixo impacto na criação de emprego no país, “os Jogos Olímpicos do Rio 2016 terão mesmo um efeito nefasto para o Brasil, segundo as previsões da COSEC, baseadas num estudo da Euler Hermes e referidas em comunicado oficial.

Receber os Jogos Olímpicos resultará, para o país brasileiro, “num aumento das insolvências entre os negócios regionais, e na criação de pressões inflacionárias que só desaparecerão em 2020, para além de contribuir para a tendência já flagrante da subida da dívida pública”.

Os incrementos no investimento e turismo irão traduzir-se num aumento real de apenas 0,05% do PIB, “cujas previsões apontam para uma queda de 3,5% em 2016. A empregabilidade gerada com o evento traduz-se na criação de 120 mil postos temporários, menos de 0,1% da mão-de-obra oferecida no país e cerca de 1,5% da mão-de-obra disponível só na cidade do Rio de Janeiro”, diz ainda o comunicado.

Já as estimativas para o turismo apontam para um acréscimo de cerca de 320 mil turistas em 2016, o que levará também a um aumento no consumo. Contudo, para Daniela Ordonez, economista latino-americana da Euler Hermes, estes esforços estão longe de criar um balanço positivo: “Embora este crescimento nos indicadores do emprego e do turismo aparentem trazer benefícios, não chegam para compensar os severos desequilíbrios económicos que se sentiam no país já antes dos Jogos Olímpicos. Alguns destes problemas, como é o caso da inflação, podem até vir a ser agravados pelos Jogos”, comenta. “Só o investimento na infraestrutura e os gastos públicos inerentes já levaram a um aumento da dívida pública de 0,04% do PIB, com a dívida do Estado do Rio de Janeiro a crescer 17%”.

Outro aspecto relevante da saúde da economia brasileira são as insolvências, “que deverão aumentar em 5% em termos gerais, e em 12% entre as microempresas brasileiras. Este resultado será fruto da fase de investimento que antecedeu aos Jogos Olímpicos e que fez surgir um número considerável de novas empresas no país”.

Quando foi confirmada a informação de que o Brasil seria o anfitrião do Mundial de Futebol de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, “registou-se uma aceleração e uma maior persistência das pressões inflacionárias no país, agravando um dos principais problemas económicos para as famílias e para o sector privado. Segundo as previsões, os dois mega-eventos irão elevar a inflação geral do país em 1%, em 2016”, refere o comunicado.

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